Revista Crítica Latinoamericana

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O escritor latino-americano e o nacionalismo/Nildo Ouriques

Vía Instituto de Estudios Latinoamericanos/Universidad Federal de Santa Catarina

Mário Vargas Llosa ganhou o Nobel de Literatura em 2010. Não desperdiçou a oportunidade para empenhar seu crescente prestígio literário em defesa do liberalismo. As revistas, jornais e televisões no mundo logo repercutiram com força suas declarações sobre a literatura latino-americana e especialmente suas críticas à política na América Latina. É preciso recordar que nem sempre foi assim; o festejado Vargas Llosa também amargou dias de marginalidade literária e política.

A propósito da repercussão do prêmio no Brasil, encontrei comentário tão antigo quanto atinado de Darcy Ribeiro sobre o agora laureado: “Mario Vargas Llosa nunca teve muito espaço na imprensa no Brasil quando falava com sua própria voz. Hoje, como porta-voz da direita, quando vai lá é um herói, com páginas inteiras nos grandes jornais e todo o Sistema Globo de Televisão a serviço de sua glória” (Ribeiro, Darcy. Testemunho, p. 155, Apicuri/Editora UnB, 2009, Brasília).

De minha parte, li no ano passado “Sables y Utopias. Visiones de América Latina”, uma coletânea de ensaios agora também publicado no Brasil em que podemos observar os escritos de Vargas Llosa durante os últimos 40 anos sobre temas, problemas e personagens de nosso continente. No livro se vê claramente a evolução do escritor progressista dos anos sessenta ao homem de direita da atualidade. Em uma larga entrevista no semanário de maior circulação no Brasil, ele investiu novamente contra os governos populares da região, afirmando que “o nacionalismo fez muito mal à América Latina. O nacionalismo é a cultura dos incultos” (Revista Veja, 20 de outubro de 2010). Na verdade, as declarações recentes repetem o que escreveu em 2006 – ensaio também incluído no livro – em seus ataques ao presidente Evo Morales quando o presidente boliviano realizou uma exitosa visita a Europa revelando as razões históricas, o ímpeto e os sentidos das mudanças revolucionárias em curso no país andino. Mario Vargas Llosa condena todo nacionalismo; ele sequer suspeita, como George Orwell advertiu há mais de 70 anos, que “o nacionalismo é um tema enorme”, razão pela qual sua eloqüente sentença só não é superficial porque, muito possivelmente, é apenas um brado para ocultar algo que julgo essencial: o nacionalismo dos países centrais.

Ao contrário do que acontece na maioria dos outros países latino-americanos, o discurso do escritor peruano – nacionalizado espanhol – funciona no Brasil como peça adicional na campanha antinacionalista permanente da imprensa brasileira. “O nacionalismo é a cultura dos incultos”! Sem dúvida, é o bordão preferido da “elite pensante” nacional. Não deixa de ser curiosa a situação. Nosso mundo é feito de nações e estamos assistindo em 2011 o nascimento do Sudão do Sul na África e a possibilidade de divisão da “civilizada” Bélgica em dois novos países não se pode descartar.

Há exemplos mais importantes, obviamente. Aqui no Brasil ninguém percebe que o discurso de posse de Barak Obama foi uma peça nacionalista sem antecedentes nos Estados Unidos. Não somente uma declaração de fé no seu povo, mas a afirmação de que os Estados Unidos são capazes de sair da crise inaugurada de maneira visível em setembro de 2008 como serão especialmente escolhidos pelos deuses para ordenar o mundo em torno da “democracia e dos mercados livres”. A julgar pela imprensa brasileira, tampouco é possível observar que Nikolas Zarkhozy é outro nacionalista obstinado em recuperar o poderio francês numa Europa que gira cada dia mais em torno da Alemanha. No entanto, observado desde o trópico brasileiro, parece que Zarkhozy é apenas um conservador, jamais um ultranacionalista conservador na mesma medida em que Obama é um democrata nacionalista e somente secundariamente um afro-descendente na presidência da potencia mundial cambaleante. Poderia ser diferente? Alguém poderia imaginar nos EUA um presidente que não fosse nacionalista? E na França, um primeiro-ministro não nacionalista?

Apesar das abundantes evidências, os líderes das nações imperialistas aparecem na imprensa brasileira como homens genuinamente preocupados com o futuro da humanidade e nunca interessados exclusivamente em manter ou conquistar mais poder para suas próprias nações. Mas se é impossível ler num jornal brasileiro o adjetivo nacionalista para o primeiro ministro francês ou para o presidente dos EUA, é fácil encontrá-lo quando se trata de Evo Morales ou Rafael Correa e – sem dúvida, o preferido entre todos – Hugo Chávez. Neste caso, o leitor poderá conferir como a ordem unida se faz com perfeição no exercício da liberdade de imprensa: o “presidente nacionalista” Evo Morales disse…. o “presidente nacionalista” Rafael Correa determinou… e, principalmente, o “ultra-nacionalista” Hugo Chávez ordenou… Enfim, o tratamento jornalístico dá a impressão que o nacionalismo é uma doença tropical, impossível de encontrar-se nos Estados Unidos, na Inglaterra ou na França.

Li com sumo interesse o último livro de Vargas Llosa e não é difícil perceber que sua conversão para as teses liberais que aprofundaram a desigualdade na América Latina é sabotada – esta é a palavra – pelo conceito de subdesenvolvimento que ainda permanece em seus textos, inclusive os recentes. É como se a conversão de Vargas Llosa ao liberalismo não fosse suficientemente profunda para erradicar um conceito que, em oposição aos liberais autênticos, se opõem à ideologia da modernização, responsável pela aceitação popular de expressões ideológicas como “vias de desenvolvimento”, “países emergentes”, etc. A contrário destas expressões, o conceito de subdesenvolvimento mantém certa tradição crítica, difícil de extirpar; e eu diria – provavelmente para espanto de Vargas Llosa – que é a chave para elucidar a questão nacional nas sociedades dependentes.

A sociologia uspiana e em conseqüência o mundo “culto” brasileiro, tentou por todos os meios evitar o incomodo conceito (subdesenvolvimento) desde sempre. O resultado prático desta opção é que, entre nós, tanto a formação do jornalista quanto a do sociólogo curva-se mais ao espírito de Poliana do que às exigências epistemológicas ou teóricas que deveriam acompanhar a profissão. Por isso, até mesmo um aprendiz de sociólogo sabe que deve buscar o lado moderno em tudo, inclusive na indústria de suco de laranja, por exemplo. O jornalista, o escritor ou o sociólogo busca com obstinação uma molécula de modernidade capitalista em todas as relações sociais. Enfim, treinados para ver o lado moderno em tudo, os “homens de cultura” no Brasil não percebem que a simbiose entre o moderno e o atrasado caminha bastante bem para manter o país nas malhas do subdesenvolvimento. Vargas Llosa, neste aspecto, é menos apologético que seus colegas de rota no Brasil. Mas ambos estão de acordo em condenar qualquer comportamento ou política nacionalista na periferia capitalista subdesenvolvida. E estão, obviamente, menos inclinados a aceitar que desenvolvimento e subdesenvolvimento são duas caras da totalidade capitalista.

Na atualidade, ao contrário da época em que pensavam os caminhos de superação do subdesenvolvimento, o escritor latino-americano julga estar imune à indústria cultural, cujo motor se encontra nos países metropolitanos. Em função desta regressão intelectual, ele esquece que a falta de leitores para seus livros, as edições inapelavelmente limitadas em função da concentração da renda que caracteriza a economia, a política cultural do estado marcada pelo colonialismo, são resultados necessário do subdesenvolvimento. Em conseqüência, ao evitar o tema do subdesenvolvimento, o escritor latino-americano não percebe que a falta de espaço no jornalismo para sua produção artística ou cultural, está intimamente articulada com a opção pelo Tio Patinhas, os milhões de livros de Harry Porter, a promoção cinematográfica hollywoodiana, o modismo literário ou artístico criado pela televisão e as páginas dos cadernos culturais dos jornais paulistas… Ingenuamente, parte considerável dos escritores latino-americanos, atemorizado pela sensação de ficar fora da moda, não vacila em afirmar seu antinacionalismo e, em conseqüência, professa espécie de liberalismo ingênuo, que supõe a existência de “espaço para todos”, como se fosse possível ao escritor desconhecido apenas os méritos de sua obra para alcançar o grande público. Ele não entende que a competição com o produto cultural promovido em escala industrial pelos países centrais não se realiza em igualdade de condições. Em poucas palavras, ele evita o tema do subdesenvolvimento e ignora o fato de que o colonialismo organizou a vida social na periferia latino-americana por três séculos (até 1825) e, quando desapareceu, entramos no período histórico do subdesenvolvimento.

Por isso, foi uma delícia ler os textos de Vargas Llosa: a tradição crítica que ele pretende evitar no pensamento latino-americano e que com tanto empenho execra na política é a razão da vitalidade de sua literatura. Por outro lado, os textos revelam imensas contradições que, esclareço logo, fizeram minha felicidade. Vargas Llosa desbanca, por exemplo, o empresariado peruano, considerado “sem imaginação e sem espírito, a quem aterra a idéia da concorrência e cujos esforços, em vez de produzir, se orientam somente a conseguir privilégios, prebendas, monopólios”. Enfim, com semelhante burguesia, onde estão as forças para modernizar o Peru? Ademais, o DNA da burguesia peruana não é muito semelhante ao encontrado nas burguesias de outros países latino-americanos?

Há também sentenças que na boca de um esquerdista seriam condenadas peremptoriamente e consideradas um mecanicismo inaceitável, mas serão serenamente aceitas como verdade quando ditas pelo Nobel: “o problema é que a democracia política sem desenvolvimento econômico dura pouco”! De certa forma, esta afirmação é melhor do que a de Francisco Weffort, nosso ex-ministro de Cultura, quem afirmou certa vez que o desafio brasileiro era a consolidação da democracia em meio a imensa pobreza. Enfim, mesmo com mais da metade da população com os pés na lama a democracia poderia funcionar bastante bem…

Em um texto de 1985, quando já era um desinibido conservador, Vargas Llosa indica que os problemas enfrentados pela Revolução Sandinista são, essencialmente, derivados dos “condicionamentos brutais do subdesenvolvimento” e não, suponho, exclusivamente pela cabeça desmiolada dos revolucionários que lideraram a Revolução em 1979. Muitos anos depois, já convertido completamente ao credo liberal e engrossando o coro contra Daniel Ortega – que exercia novo mandato presidencial na Nicarágua – o escritor manifestava que para o país centro-americano ainda faltava muito para superar “este poço de horror e vergonha que chamamos subdesenvolvimento”, afirmação que situa os descaminhos do sandinismo em um marco mais realista.

Outra pérola é seu discurso em Davos, em 2001, quando ele já era um profeta da globalização e dos supostos benefícios que esta traria para os países dependentes: “… apesar de haver deixado atrás o subdesenvolvimento há tempo em matéria de criatividade artística – nesse campo, somos, ao contrário, imperialistas – América Latina é, depois de África, a região do mundo onde há mais fome, atraso, desemprego, dependência, desigualdades econômicas e violência.” Poderia haver confissão de maior impotência, após anos de aplicação do receituário liberal na maioria dos países latino-americanos? Li preciosidades sobre o sistema político da região, repleta de ironia contra a tradição de esquerda, supostamente avessa ao compromisso político: “Porém a democracia tem grandes dificuldades para aclimatar-se em países refratários, por tradição e por cultura, a aceitar a pobre realidade, o medíocre caminho do gradualismo, do possível, da transação e do compromisso, da coexistência da diversidade…”. Como se as classes dominantes fossem afeitas a acordos com as classes populares em nosso continente…

Há também cumplicidades com os donos do poder que não se pode admitir num crítico mordaz de quase tudo e todos. Em 1981, escrevendo desde Lima, Vargas Llosa ataca o nacionalismo cultural e elogia os modernos meios de comunicação como instrumento de democratização da cultura, consideração que não poderia ser tomada senão como ingenuidade, no melhor dos casos. “Os meios de comunicação massivos não são culpados do uso medíocre ou equivocados que se faça deles. Nossa obrigação é conquistá-los para a verdadeira cultura, elevando mediante a educação e a informação o nível do público, transformando-o em cada vez mais rigoroso, mais inquieto e mais crítico, e exigindo sem tréguas aos controladores destes meios – o Estado ou as empresas particulares – uma maior responsabilidade e um critério mais ético no emprego que dão.” Leitor de Machado de Assis, a quem nunca poupou elogios, Vargas Llosa parece desconhecer as Recordações do Escrivão Isaías Caminha, (1908) de Lima Barreto, autor do melhor diagnóstico sobre a imprensa e os modernos meios de comunicação. Como é possível alegar sobre o “uso equivocado” ou “medíocre” dos meios de comunicação como se os mesmos não fossem expressão de monopólios que se dedicam, com mais eficácia que a escola e as igrejas, à produção de ideologia destinada a perpetuar – na acertada sentença de Ludovico Silva – “a dependência nas cabeças mesma dos neocolonizados”? Como e onde exigir “sem tréguas” aos proprietários das TVs, rádios e jornais, compromisso ético ou qualidade na programação?

Não sei se a crise iniciada em setembro de 2008 abalou a fé de Vargas Llosa na política liberal que pregou sem rodeios até bem pouco tempo. É provável que não. De qualquer modo ele tem evitado tratar temas da política e da economia em seus artigos na imprensa após o início da grande crise capitalista, refugiando-se novamente na literatura. Nada de novo nesta posição de avestruz. Recordo a respeito que Octavio Paz, após defender enfaticamente as reformas neoliberais no México por Salinas de Gortari – presidente que se beneficiou de uma fraude eleitoral para chegar à presidência e enriqueceu como poucos no exercício do cargo – também se dedicou exclusivamente as letras no preciso momento em que os mexicanos conheciam o resultado do programa aplicado: colapso econômico, convulsão política e decadência moral sem precedentes. Nenhuma autocrítica apareceu nas páginas da Revista Vuelta, dirigida por Paz (e Enrique Krause) que, apoiado pelo monopólio Televisa, defendeu durante anos, com unhas e dentes, o programa liberal. Enfim, quando não era mais possível esconder os assassinatos, a corrupção generalizada e a pobreza em massa criada pelas reformas liberais em seu país, Octavio Paz se refugiou na literatura e esqueceu definitivamente a política.

Os liberais possuem razões de sobra para pregar que a solução para o subdesenvolvimento e a pobreza que caracterizam nossa formação social somente pode ser enfrentada com sucessivas ondas modernizantes, ou seja, a aplicação das políticas recomendadas pelos países centrais por meio de organismos considerados “internacionais” (FMI, BM, FAO, etc). A razão é simples: trata-se da ideologia que lhes permite acumular poder e riqueza à custa da maioria da população, cujo destino tem sido a miséria, a imigração ou simplesmente o conformismo de viver em países que “não deram certo”. É neste contexto que podemos entender a adesão sem reparos da classe dominante em nosso continente ao conto da “globalização”. Da mesma forma, o ressurgimento do “pensamento crítico latino-americano” por parte de amplos setores sociais empobrecidos deve ser considerado uma resposta intelectual das maiorias àquela espoliação que foi apresentada como uma oportunidade indiscutível para nossos países. A incapacidade da “globalização” em atender as necessidades básicas da maioria da população, criou as bases para a renovada relevância do nacionalismo. Mas qual nacionalismo? O nacionalismo revolucionário, ou seja, aquele que enfrenta os dilemas históricos do capitalismo dependente, incapaz de dar vida digna a milhões de pessoas, de superar a dependência tecnológica, a miséria e a marginalidade política e social, a alienação cultural.

O nacionalismo – que seguirá sendo objeto de intensa controvérsia – pode, na verdade, ser tão nocivo quanto emancipatório, razão pela qual representa grave erro simplesmente condená-lo. Gilberto Freire, este ícone das letras paulistas, alertou em 1946 que “a história de nações como as latino-americanas está assim caracterizada tanto por um nacionalismo de proteção como por um nacionalismo de agressão”. O argumento tem algo de verdadeiro, embora não há notícias de uma invasão ou agressão militar de um país latino-americano a qualquer potencia imperialista. O contrário é verdadeiro. É claro que existiram e ainda permanecem tensões regionais que implicaram em conflitos bélicos entre os países latino-americanos, mas quem se atreveria comparar os termos da questão?

É expressivo de seu caráter polemico o fato que tanto um historiador marxista como E. J. Hobsbawm quanto o literato liberal considerem o nacionalismo perigoso anacronismo. Ambos não conseguem estabelecer relação entre a terrível realidade do subdesenvolvimento e a erupção do nacionalismo revolucionário, principal fenômeno político da América Latina contemporânea. A origem da inesperada coincidência é que Hobsbawm e Vargas Llosa – figuras opostas no espectro político – expressam considerável dose de eurocentrismo, razão pela qual julgam que todas as nações estão prontas, historicamente concluídas. Desde Madri e Londres, onde estão confortavelmente instalados, o mundo tem obviamente outra feição…
Vargas Llosa prefere pensar que o nacionalismo é, juntamente com o “populismo”, o “indigenismo” e a “corrupção”, um obstáculo ao desenvolvimento. No fundo, alimenta-se da ilusão do desenvolvimentismo, típico subproduto da sociologia da ordem de inspiração rostowiana segundo a qual, com um pouco de esforço e seguindo as pegadas dos países centrais, chegaremos lá. Viver na periferia capitalista não é, efetivamente, desfrutar de uma vida agradável, tantos são os problemas reais ou imaginários. Portanto, é compreensível que dirija suas baterias contra qualquer manifestação de nacionalismo, especialmente quando a bandeira é empunhada pelas classes subalternas. Para ele, a “visão patrioteira e provinciana da cultura e da política” funciona como espécie de “contracapa do nacionalismo” e é a melhor receita para jamais sair do subdesenvolvimento, como escreveu em 2005. Eis o segredo do postulado de Vargas Llosa – como também de todos os liberais latino-americanos – pois supõem que mesmo uma dose cavalar de liberalismo nunca será suficiente para modernizar nossos países. É como afirmou um “profeta” liberal brasileiro já merecidamente esquecido: “o neoliberalismo seria bom, mas lamentavelmente nunca contraímos a enfermidade”. Em resumo: por mais intensa que sejam as medidas liberais aplicadas – privatização, abertura da economia, flexibilização dos salários, entre outras conhecidas medidas antipopulares – o fato é que a realidade não se transforma jamais na direção pretendida pelos liberais. Ao contrário, confirma o acertado prognóstico de Gunder Frank, pois a “onda modernizadora” aprofunda o desenvolvimento do subdesenvolvimento.

O fato é que o liberalismo se renova sem jamais cumprir sua promessa de redimir da pobreza milhões de pessoas e de garantir às nações latino-americanas um lugar que não seja a subalternidade no cenário internacional. Eis a razão pela qual o nacionalismo se mantém como força política imprescindível na América Latina como de resto em toda periferia capitalista, pois sem ele, a debilidade da nação e as desigualdades sociais que a acompanham seriam ainda mais gritantes.

Um mundo sem nacionalismos somente seria possível com o ocaso das nações. É desejável? Certamente, mas é preciso levar em conta que o grande capital não pode prescindir do estado-nação a seu exclusivo serviço. Portanto, seguirá exorcizando qualquer manifestação de nacionalismo na periferia que impeça o mínimo de controle popular sobre recursos estratégicos da nação, ou seja, minerais, mão de obra, alimentos e especialmente, fluxos financeiros. É claro que a análise deste fenômeno não deveria ocultar outro dado elementar do mundo moderno: o nacionalismo praticado historicamente pelos países centrais não somente segue intacto como ganhou força nas décadas em que o chamado neoliberalismo foi aplicado sem restrições. Em conseqüência, tanto na cultura como na economia, o nacionalismo realmente destrutivo segue sendo aquele praticado pelos países centrais contra os países periféricos.

Um mundo sem nacionalismos? Os povos dos países latino-americanos certamente seriam os primeiros interessados em eliminar da face da terra o nacionalismo em qualquer de suas manifestações. É simples perceber que numa verdadeira comunidade mundial, sem o domínio dos nacionalismos dos países centrais (imperialismo), a opressão nacional sob os países periféricos cessaria. Neste cenário utópico – o fim do nacionalismo em escala planetária – poderíamos quiçá, ter melhor sorte do que aquela reservada às maiorias nas nações sob controle das classes dominantes locais em íntima relação com as elites dos países metropolitanos. Estou convencido que precisamente as classes populares da periferia capitalista seriam as primeiras em lutar pelo fim das fronteiras nacionais e o fim de todo e qualquer nacionalismo. Estaríamos vivendo o fim do capitalismo, certamente. Mas esta generosa possibilidade, como se pode ler no livro de Vargas Llosa, não existe para o escritor.

Nostromo 4 al Palacio de Minería

Los gurúes de los Kirchner

Vía La Nación

La sofisticación de la teoría de Ernesto Laclau sobre el populismo no es materia de esta nota. Quien la escribe ha leído atentamente La razón populista (2005), pero ahora seguirá el ejemplo de lo que hace Laclau cuando lo reportean: usar instrumentos menos abstrusos y, a veces, singularmente toscos. En Internet, el lector podrá leer esas intervenciones periodísticas a veces provocadoras. Los reportajes a Laclau enhebran sentencias apodícticas, enunciados cortantes, frases sin fisuras, mandamientos, irreverencias, aforismos irónicos y predicciones. Se siente autorizado por su obra y por su renombre, que cuida especialmente cuando adivina una amenaza a su estrellato, por ejemplo Slavoj Zizek (a quien Chantal Mouffe define como un revolucionario retórico y vociferante, eximiendo a su marido de la ingrata tarea de echar tierra sobre un competidor de la izquierda académica).

Visiblemente halagados, en una entrevista reciente, Laclau y Chantal Mouffe rememoran anécdotas locales que no son comunes en Europa, donde viven. Parece que los asistentes al Congreso de Ciencia Política que hace poco tuvo lugar en San Juan les hacían firmar ejemplares y los convirtieron en temporarias celebrities intelectuales. Pese a esta cordial resonancia entre los cientistas políticos del Congreso, la lectura de La razón populista es una tarea para entrenados. En cambio, En torno a lo político (2007), de Chantal Mouffe, la muestra como una pensadora disciplinada y poco extravagante.

En sus libros Laclau tiene un estilo trabajoso; en sus reportajes es simple y va al grano. No es necesario que un político haya leído a Laclau para entender lo que dice en las entrevistas. La difusión de las ideas se produce en círculos concéntricos y esto lo saben bien quienes hacen historia de la cultura. De modo que, salvo para los especialistas, Laclau puede circular tranquilamente en su simplificada versión mediática. Vale como ejemplo de esa difusión la actual reivindicación de la palabra “enemigo” en vez de “adversario” que emiten muchos de los voceros del Gobierno, puesta en valor que probablemente se haya originado en académicos que hoy militan en el Poder Ejecutivo, como Juan Manuel Abal Medina. Digamos, de paso, que Chantal Mouffe no podría reivindicar este uso desafiante de la palabra enemigo por razones que se verán más adelante y que prueban mayor sutileza intelectual y sensatez política.

De todos modos, antes de tocar la carne palpitante de actualidad que pone Laclau en sus entrevistas, vale la pena mencionar algunas de las ideas de La razón populista , aunque se corra el riesgo de herir su oscuridad y simplificar sus arabescos.

Ernesto Laclau considera que, cuando un sistema político atraviesa una crisis que afecta las viejas formas y estructuras, cuando aparece disperso o desmembrado como la Argentina a comienzos de este siglo, sólo el populismo es capaz de construir nuevamente una unidad, articulando las demandas diferentes que estallan por todas partes y volviéndolas equivalentes, es decir, aptas para sumarse en un mismo campo. Por eso, el populismo no tiene un contenido definido de antemano, sino que depende de las reivindicaciones que se articulen en esa nueva unidad. Al hacerlo se traza una frontera que divide a la sociedad en dos partes; una de ellas, el pueblo, es un “componente parcial que aspira a ser concebido como la única totalidad legítima”. Suena históricamente conocido.

Cuanto más demandas diferentes sean integradas, más amplio será el campo enemigo, hasta tal punto que el discurso populista gira en torno de un “significante vacío”. Pero no se trata de un vacío abstracto sino de un vacío que permite producir sentidos políticos, como -el ejemplo es de Laclau- la consigna “pan, tierra y libertad” o, con mayor actualidad, “capas medias versus morochos”.

Podría decirse que estas definiciones de Laclau se aplican a todo nuevo régimen político. También podría decirse que el trazado de una línea interna que separe las demandas de quienes las rechazan es la política misma, no sólo la forma populista de la política. La intervención política ordena demandas y define conflictos. Para Laclau, la forma política apropiada (por lo menos para América latina, pero no sólo para América latina) es el populismo, que puede ser de izquierda o de derecha, pero Dios quiso que, en este momento del continente, con Chávez a la cabeza, fuera de izquierda.

Hasta aquí la discusión podría desarrollarse en el empíreo de las ideas sin mayores consecuencias. Pero Laclau es incomparablemente más simple cuando saca la mirada del “significante vacío” y la pone en la política real. Allí se vuelve esquemático y sus ejemplos parecen un poco elementales y alejados de las múltiples determinaciones concretas. Sin muchas mediaciones, aborda los hechos como si encontrara en ellos la directa versión empírica de sus categorías ideales.

En una entrevista reciente, traduce vertiginosamente las tesis de su libro: “Si existe una demanda concreta de un grupo local sobre un tema como transporte y la municipalidad la niega, hay una demanda frustrada. Pero si la gente empieza a ver que hay otras demandas en otros sectores y que también son negadas, entonces empieza a crearse entre todas esas demandas una cierta unidad y empiezan a formar la base de una oposición al poder. En cierto momento es necesario cristalizar esa cadena de equivalencias entre demandas insatisfechas en un significante que las significa a ellas como totalidad: es el momento de la ruptura populista, cuando la relación líder-masa empieza a cristalizar. Pero hay todo un renglón intermedio que es el momento parlamentario. Ese momento muchas veces opera sobre bases clientelísticas y puede tratar de interrumpir la relación populista entre masa y líder. Cuando ocurre, entonces tenemos a un poder parlamentario, antipersonalista, que se opone a la movilización de bases”.

El servicial ejemplo de un grupo que pide una mejora en el transporte transcurriría antes del advenimiento del líder populista; con ese grupo, también en ese momento anterior, coexistiría otro que pide un sistema de salas de primeros auxilios y un tercero que reclama mejoras en las escuelas elementales. Todos tienen objetivos diferentes, pero el líder populista puede convertir esas demandas en una cadena de equivalencias que se enfrenten, por ejemplo, con los responsables de una injusta distribución del gasto público. En ese momento se traza una línea de separación y se funda un sujeto popular. Perón viene a la mente como el líder histórico que realizó esta paradigmática construcción de hegemonía, encontrando el nombre que desde entonces designa al enemigo del pueblo: la oligarquía, los vendepatria, etcétera.

Por eso, Perón, Chávez o cualquier líder populista están autorizados por el carácter de la operación hegemónica a limitar la república parlamentaria que distorsiona la política, ya que difiere o impide el trazado de una línea nítida y la definición del conflicto. Una “frontera interna”, que divida claramente al pueblo de sus enemigos, requiere una “invocación política”. Invocar quiere decir llamar y dar nombre: socialismo bolivariano frente al imperio, kirchnerismo frente a las corporaciones.

Sin embargo, a diferencia de lo que muchos pensamos y eventualmente tememos, Laclau sostiene que la conflictividad kirchnerista es incompleta. Por un lado no ha profundizado la frontera con los enemigos de todas las reivindicaciones populares; por el otro, no le ha dado un discurso a esa identidad que, de todos modos, ha contribuido a fundar.

Si alguien se imagina a Kirchner relamiéndose de gusto, alentado por esta explicación, y preparando nuevos tendidos de líneas divisorias, no se equivocará, aunque, para ser justos, también debería reconocerse que Kirchner no la necesita para hacer lo que hace y lo que hizo. Laclau agrega otros buenos argumentos para la persistencia en el poder de los líderes populistas (en general son los mismos argumentos por los cuales podría permanecer una dictadura): “Soy partidario hoy en América latina de la reelección presidencial indefinida. No de que un presidente sea reelegido de por vida, sino de que pueda presentarse. Por ejemplo, por el presente período histórico, sin Chávez el proceso de reforma en Venezuela sería impensable; si hoy se va, empezaría un período de restauración del viejo sistema a través del Parlamento y otras instituciones. Sin Evo Morales, el cambio en Bolivia es impensable. En Argentina no hemos llegado a una situación en la que Kirchner sea indispensable, pero si todo lo que significó el kirchnerismo como configuración política desaparece, muchas posibilidades de cambio van a desaparecer”.

Laclau ha ido depositando refinadas capas de teoría sobre su populismo de origen, aquel adoptado como hipótesis histórica en su primera patria intelectual: el partido y las ideas de Jorge Abelardo Ramos. Esto no es una revelación inquietante, ya que para Laclau, como se ha dicho, el populismo es la forma misma de lo político.

La cuestión debería matizarse cuando se lee a Chantal Mouffe e incluso cuando se registran sus opiniones en (una menor) cantidad de entrevistas. Chantal Mouffe no es una teórica del populismo sino que interviene en el debate sobre el carácter de la democracia. De modo legible y con claridad expone que la democracia no es simplemente un régimen de consensos sino el escenario de disputas que las instituciones encuadran dentro de sus reglas para que no se vuelvan destructivas. No podría estar más de acuerdo. Si Laclau no muestra ningún interés por el aspecto institucional de las democracias y sostiene solamente la legitimidad de origen (es decir que un gobierno haya ganado elecciones), Chantal Mouffe está preocupada por redefinir la democracia no como la institucionalidad que sólo permite la construcción de acuerdos que evadan las contradicciones reales, sino también el despliegue y la eventual resolución de conflictos. El foco de la mirada teórica de Laclau y Mouffe, en el último libro de cada uno de ellos es, por eso, diferente.

La pregunta sería: ¿es el gobierno de los Kirchner un gobierno populista? Si la respuesta es afirmativa, la crítica liberal institucionalista es obtusa por su fijación en los pormenores sin grandeza política de la administración. Pero no sería posible criticarlo por lo que no se propone ser: su legitimidad, como la de Chávez, es una legitimidad de origen, y sus modalidades son las de un liderazgo que ha comprendido que, frente al viraje de Occidente hacia la derecha, las posibilidades pasan por el populismo si se busca superar el estancamiento social y el retraso provocados por el capitalismo.

En ese caso, al gobierno de Kirchner habría que pedirle más populismo (tal como lo hace Laclau) y no menos. Laclau considera al kirchnerismo un populismo todavía “incompleto” si se lo compara con el chavismo. ¿Qué quiere decir más populismo? Que el kirchnerismo profundice el corte político que constituye al pueblo, que profundice la división de la sociedad entre los de abajo y los de arriba (estoy citándolo) y, si es necesario, que rompa los marcos institucionales que se convierten en barreras a la vitalidad y la dinámica de la decisión política; que defina el conflicto y no se confunda: los adversarios son siempre enemigos. Laclau no está interesado en el trámite de las decisiones políticas (que son monopolio del líder); se conforma con la legitimidad electoral de origen como base de una democracia populista.

El reformismo democrático tramitado en las instituciones no sólo tiene como destino el fracaso sino que no merece ser nombrado como política. Para Laclau es sólo administración. La épica de lo político se sostiene en el corte, no en el gradualismo. En eso se funda el olímpico desprecio con que Laclau amontona en la derecha o en la traición al pueblo a Hermes Binner, a Ricardo Alfonsín, a Elisa Carrió y Margarita Stolbizer. Tal como tratan los Kirchner desde hace un tiempo a cualquiera que definan como adversario devenido enemigo. Naturalmente, Martín Sabbatella le parece a Laclau un político inteligente y acertado. A Solanas le aconseja que vuelva a dedicarse al cine.

Con este reparto de premios y castigos la teoría desciende al llano. Laclau puede sentirse satisfecho de este nuevo encuentro del pensamiento nacional de izquierda con un líder populista. Un sueño vuelto realidad gracias a un “significante vacío” llenado por los Kirchner a quienes la teoría también les habilita la reelección indefinida. Sería cosa de modificar la Constitución, ese fetiche.

Chantal Mouffe se interesa por cuestiones diferentes y, por eso, es esperanzador que se diga que la Presidenta la estima, aunque todavía no haya dado muestras concretas de esa simpatía intelectual. Plantea no la partición conflictiva de lo político (que por supuesto da por descontado), sino las formas en que la política puede tramitar los conflictos. Para Laclau, al trazar una frontera que define al pueblo, la política ha cumplido su función fundadora y se trata, de allí en más, de las victorias que obtiene ese pueblo (o su dirigente) en una larga guerra de posiciones. Para Chantal Mouffe, en cambio, si bien es imposible abolir los antagonismos, la política puede transformarlos en “una forma de oposición nosotros/ellos que sea compatible con la democracia pluralista”, “transformar el antagonismo en agonismo” y desplegar democráticamente un “modelo adversarial”.

La diferencia entre Laclau y Chantal Mouffe es evidente. Desde la perspectiva de Laclau las instituciones liberal-democráticas son solamente formas objetivadas (“alienadas”, se habría dicho hace tiempo) que ocultan relaciones de poder económico y social. Chantal Mouffe, que no rechazaría de plano esta definición, tiene, sin embargo, mejores perspectivas para evaluar sus consecuencias prácticas en la escena política, entre ellas que una hipótesis de conflicto se agite continuamente como estandarte en cada una de los escenarios cotidianos. Y esta agitación belicosa parece ser lo que está sucediendo.

© LA NACION

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma/ Leonardo Boff

Vía Adital

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

“Es abusivo calificar a los mapuche de terroristas”/Hernán Montealegre

Vía El mostrador

La huelga de hambre que han mantenido por casi dos meses 32 mapuches busca terminar con la aplicación de la Ley Antiterrorista -que puede hasta cuadruplicar las penas-, así como que las investigaciones judiciales sean sacadas de la jurisdicción de los tribunales castrenses, radicándose en la justicia ordinaria.

De hecho, el lunes pasado el gobierno anunció algunos cambios a la ley antiterrorista y al Código de Justicia Militar.

Pero los mapuches continúan su huelga, ya que aseguran que estos anuncios sólo se quedan a nivel de los medios de comunicación: nadie se ha acercado a dialogar con ellos ni a aclarar los alcances de la decisión.

Para el abogado de Derechos Humanos,  Hernán Montealegre, “si los cambios propuestos por Piñera buscan flexibilizar la ley antiterrorista estoy de acuerdo”. Pero recalca que la mentada ley ha sido mal utilizada por el Estado, ya que, asegura, en Chile no existen grupos con las características que definen a este tipo de organizaciones.

¿Cuándo tiene su origen la Ley Antiterrorista en Chile?

-En la época de Pinochet. Antes de eso existían crímenes en el Código Penal pero no ley antiterrorista.

Un detalle interesante es que en  la Constitución  de 1980 el único artículo que habla de Derechos Humanos dice que el terrorismo es esencialmente lo contrario. No hay otro artículo en la Constitución, ni siquiera luego de la reforma de don Ricardo Lagos, que contenga la expresión “derechos humanos”. Con eso se sostuvo lo que Pinochet siempre quiso transmitir: los que de verdad violaban los derechos humanos eran los terroristas y no ellos. Lamentablemente todos los asesores jurídicos de la Concertación han mantenido ese artículo.

-¿Se justifica la aplicación de la Ley Antiterrorista en el caso de los mapuches?

-Evidentemente que el terrorismo existe y que es un tipo de delincuencia distinto a la delincuencia común. Organizaciones terroristas han existido en muchos países: el IRA en Irlanda, la ETA en España, Al Qaeda…

Los dueños de fundo tienen mucha influencia en los gobiernos. Son amigos de los ministros de Justicia,  del Interior. Para lo bueno y lo malo Chile es un país de amistades.

En Chile la verdad no logro configurar las características de estas organizaciones para homologarlas con algún grupo chileno. Desde luego la idea de Pinochet de que aquí había terrorismo es falsa. La esencia del acto terrorista es que comete delitos contra las personas o la propiedad pero, lo que le interesa no es dañar a esa persona o propiedad, sino a través de eso producir alarma en conjunto o parte de la sociedad.

-¿En el caso de los mapuches procesados no caen en esta definición?

-No.  Diría que es un asunto circunscrito al lugar. Tienen elementos para decir que se están defendiendo de tierras usurpadas. Pueden estar equivocados, pero se debe resolver a través del diálogo: históricamente somos los invasores de sus tierras. Es absurdo negarlo.

Los mapuche invocan derechos ancestrales, que no invocan los grupos terroristas, que son grupos fanatizados. El terrorismo se dirige a la mente y la voluntad de la sociedad, a través del temor. También es muy importante para ellos contar con apoyo internacional. Ese elemento es posible que exista en grupos mapuches, pero los actos por los que se los juzga hoy son más bien violentos, no terroristas. Es abusivo calificarlos de terrorista.

-¿Qué pasa con los incendios reiterativos, destrucción de la propiedad ajena, quema de buses?

-Si hay gente adentro y se quema a personas inocentes estaríamos próximos a tener que calificar estos actos como terroristas. Pero si son aislados no llegan a caracterizar ni a los mapuches como tal ni a los grupos de choque de ellos.

Si en Santiago o en otra ciudad grande, o en otro sitio aparece un grupo mapuche poniendo bombas y matando gente inocente, estaríamos ante grupos terroristas. Esto no ha ocurrido ni remotamente.

-¿Cómo evalúa la actuación del Estado y de los gobiernos de la Concertación frente a la aplicación de la Ley Antiterrorista con los mapuche?

-El Estado chileno ha sobreactuado. Básicamente porque los dueños de fundo tienen mucha influencia en los gobiernos. Son amigos de los ministros de Justicia,  del Interior. Para lo bueno y lo malo Chile es un país de amistades.

Mapuches en huelga de hambre son torturados como en Guantánamo/Ninoska Leiva

Vía Radio Universidad de Chile

La fiscal de la Corte Suprema, Mónica Maldonado, reconoció que a los presos políticos mapuche se les están aplicando castigos prohibidos por la ley y los tratados internacionales, mientras que la doctora que los atiende aseguró que los mantienen a oscuras y aislados para quebrantar su posición. Torturas que aplicaría Gendarmería con la anuencia de las autoridades.

Familiares y  representantes de los 32 mapuche que ya cumplen 53 días en huelga de hambre realizaron una grave denuncia: “están siendo torturados”.

Estas prácticas estarían siendo aplicadas por Gendarmería en todos los penales donde se encuentran los presos mapuches en huelga de hambre – Concepción, Lebu, Angol, Valdivia y Temuco- como una forma de presión para que depongan su protesta.

La doctora a cargo de la salud de los huelguistas, Berna Castro, confirmó que a los detenidos se los mantiene en la oscuridad y acusa que “se están usando prácticas de la cárcel de Guantánamo para quebrar a los prisioneros, es una forma de tortura, configura un delito de tortura por parte del Estado chileno, hecho por agentes del Estado chileno, en este caso Gendarmería. Y con el conocimiento de los que gobiernan”.

La profesional informó que no tener luz de día hace que una persona pierda la noción del tiempo, alterando su cerebro y provocando una serie de cambios hormonales que hacen funcionar mal el resto del organismo.

Por su parte, la fiscal de la Corte Suprema, Mónica Maldonado, quien en ocasiones anteriores ha denunciado las malas condiciones carcelarias en el país, conversó con Radio Universidad de Chile y reconoció que a los mapuche se les aplican castigos que transgreden los tratados internacionales y las leyes, al tiempo que informó que hace diez días envío a una fiscal a revisar la situación en Temuco.

“Los castigos son en celdas de castigo, oscuras, con 23 horas de oscuridad total y sólo una hora de patio, en fin, condiciones con las que hemos luchado para que se terminen porque van en contra de la Convención Contra la Tortura y también en contra de nuestra propia Constitución. De hecho hace unos 10 días atrás mandé a una fiscal a evaluar esta situación, y me dijo que estas personas se encontraban bien…pero fue hace diez días atrás”, señala Maldonado.

En tanto, los partidos oficialistas tratan el tema con cuidado. Mientras el presidente de Renovación Nacional, Carlos Larraín, dijo “lamentar esta situación”, y llamó al gobierno a “corregir este disparate que le trastorna la existencia a cualquier persona”, el secretario general de la UDI, senador Víctor Pérez, prefirió guardar silencio y criticar los cambios anunciados por el gobierno en la Ley Antiterrorista y  la Justicia Militar, algo que a su juicio es “innecesario”.

Mientras, los 32 presos políticos exigen “acciones concretas”, y pese a la oferta del Ejecutivo enviar con urgencia al Congreso Nacional dos proyectos de ley para acotar la jurisprudencia de la Justicia Militar y modificar la actual Ley Antiterrorista, no han desistido de la huelga de hambre que se acerca peligrosamente a los dos meses.

El Gobierno insiste en el llamado a deponer la huelga y renunciar a la violencia como forma de reivindicación territorial, pero los representantes de los presos indican que “ellos tienen miedo de que no se les cumpla la palabra” y permanecerán a la espera de una mesa de diálogo que revise su situación y un compromiso por escrito que les asegure que se les respetará el debido proceso. Desconfianza que las torturas no hacen más que acrecentar y dar sentido.

Del Bolívar de Karl Marx al marxismo bolivariano del siglo XXI/ Néstor Kohan

Vía Rebelion.org

¿Adónde irá Bolívar? ¡Al brazo de los hombres

para que defiendan de la nueva codicia,

y del terco espíritu viejo, la tierra

donde será más dichosa y bella la humanidad!

(José Martí Discurso del 28 de octubre de 1893)

Les repitió por milésima vez la conduerma de que el golpe mortal

contra la integración fue invitar a los Estados Unidos

al Congreso de Panamá, como Santander lo hizo por su cuenta y riesgo,

cuando se trataba de nada menos que de proclamar la unidad de la América.

(Gabriel García Márquez “El general en su laberinto”)


Un bicentenario para repensar sin miedo

Cuando en 1989 se cumplió el bicentenario de la Revolución francesa la cultura política europea rememoró antiguos debates postergados. Las urgencias políticas del momento no dejaron margen a la serenidad. ¡Había que liquidar con premura y caiga quien caiga toda huella de pensamiento crítico! La bochornosa caída del muro de Berlín prometía arrasar con cualquier proyecto de emancipación radical que pretendiera ir más allá del límite histórico alcanzado por la Revolución francesa de1789 (revolución que, dicho sea de paso, no era concebida de manera integral como habían sugerido las investigaciones de Albert Soboul y otros clásicos de la historiografía marxista sino que incluso era reducida a la caricatura del denominado “ terror jacobino” 1 ).

Dos décadas después de aquella celebración europea que pretendía enterrar definitivamente a Karl Marx bajo el polvo y los escombros de esa pared caída en Berlín, las piruetas del calendario remiten ahora a otra fecha histórica, centrada en esta oportunidad en América Latina. En este nuevo bicentenario del año 2010 nos encontramos cara a cara con el inicio en 1810 de la independencia continental frente al colonialismo europeo 2 . Nuevamente afloran numerosos debates políticos e interrogantes teóricos postergados donde la discusión sobre el pasado nos sugiere repensar el horizonte presente y futuro.

Pero nuestro tiempo es notablemente distinto al clima asfixiante de 1989… Dos décadas después de la caída del muro de Berlín, el sistema capitalista atraviesa una nueva crisis aguda, sólo comparable con la de 1929. Nos encontramos bien lejos de la euforia etílica que emborrachó la futurología neoliberal de Francis Fukuyama así como también de la orgía triunfalista de Bush padre y su cómplice germano Helmut Kohl. En todo el orbe crecen hoy las resistencias y la indisciplina, se generalizan las tensiones sociales y las contradicciones antagónicas del capital emergen exacerbadas a flor de piel.

En ese nuevo marco mundial Estados Unidos (y su sistema vigilante de policía mundial disfrazado de “multiculturalismo”) se enfrenta a nuevos disidentes radicales. Retorna a escena la prédica antiimperialista, el viejo sueño de hermandad latinoamericana, los ideales libertarios y proyectos emancipadores todavía incumplidos de Simón Bolívar, José Carlos Mariátegui y Ernesto Che Guevara. Una tradición de pensamiento crítico que este nuevo bicentenario nos invita a repensar, recuperar y actualizar.


Bolívar y el problema (inconcluso) de la nación latinoamericana

Durante los últimos años desde los centros académicos que marcan y condicionan la agenda del debate teórico se decretó el fallecimiento repentino y se labró el acta de defunción “definitiva” del estado-nación. Con la emergencia de la globalización, se nos dijo, dejó de tener sentido la lucha por la liberación nacional en los países dependientes, periféricos, coloniales o semicoloniales ya que supuestamente habría desaparecido el imperialismo y ningún estado-nación ocuparía ese rol tan característico de la dominación del capital que marcó a fuego todo el siglo XX 3 .

Dejando a un lado la refutación de ese lugar común tan difundido por los monopolios de (in)comunicación, de endeble fundamentación teórica, débil sostenimiento empírico y sospechosa posición política 4 , creemos que hoy se torna necesario e imperioso abordar y retomar esta problemática desde un ángulo bien distinto.

A diferencia de la tradicional “cuestión nacional” tal como fue abordada por los clásicos del marxismo europeo —naciones oprimidas y aisladas que luchaban por romper esa dominación y desplegar su soberanía al interior de su propio estado nación—, la cuestión nacional latinoamericana poseía y posee otra dimensión, riqueza, extensión y complejidad. En el caso europeo, muchas veces las naciones ya estaban constituidas desde inicios de la modernidad y lo que quedaba aún pendiente era sacarse de encima la indignante bota imperial de las naciones opresoras. Polonia fue, quizás, uno de los casos emblemáticos junto con Irlanda en el siglo XIX. La misma Irlanda y fundamentalmente Euskal Herria (el país vasco) constituyen todavía en la actualidad un fenómeno análogo de opresión nacional.

Sin embargo, cuando abordamos esta misma discusión en América Latina el problema se condensa y se complejiza todavía más. Porque en nuestro continente, la pugna por constituir una gran nación integradora frente a la dominación (externa e interna) estuvo presente de manera inacabada e inconclusa desde sus mismos inicios.

Ya en 1810, y desde entonces en adelante, el proyecto político independentista aspiraba en sus promotores más radicales constituir una gran nación latinoamericana (sus clases dominantes y las elites locales, débiles, mezquinas y miopes socias menores de la dominación externa, fueron también responsables del fracaso de ese ambicioso proyecto de soberanía integral). En este sentido la nación no estaba en Nuestra América constituida esperando a que se la libere. Había que constituirla al mismo tiempo que emanciparla.

La nación latinoamericana, « un solo país, la Patria Grande », como la denominaba el libertador Simón Bolívar [1783-1830], es todavía hoy, dos siglos después, un proyecto inconcluso, pendiente y a futuro.

Retomar ese proyecto nos permitiría descentrar los falsos dilemas que dicotomizan el debate con los falsos términos de globalización desterritorializada versus nacionalismo estrecho y provinciano. Cosmopolitismo falsamente universal (que en realidad generaliza como “universal” valores y culturas típicas y exclusivas del american way of life ) versus fundamentalismos parroquiales (cuanto más débiles, más intolerantes).

El proyecto político que impulsó Simón Bolívar en las luchas de independencia era mucho más complejo, rico y radical que esa idea fofa, amorfa, vagamente humanitarista y absolutamente genérica, muy a gusto del pensamiento “políticamente correcto” de nuestros días, al estilo de las ONGs europeas o norteamericanas o incluso de la UNESCO. Bolívar pensaba sus proyectos incluyendo como eje la educación popular (qué él resumía como “ Moral y luces ” siguiendo a su maestro Simón Rodríguez [1769-1853]) pero siempre a partir de la confrontación. La única libertad auténtica se conquista luchando. La batalla de las ideas sola y aislada es buena, pero sin confrontación jamás podrá vencer. La hegemonía constituye la combinación de la persuasión del consenso pero al mismo tiempo de la confrontación a través del ejercicio de la fuerza material. La zorra y el león.

El libertador había proyectado e imaginado su utopía radical de «Patria Grande» del siguiente modo: “ Es una idea prodigiosa pretender formar de todo el mundo nuevo una sola nación con un solo vínculo que ligue sus partes entre sí y con el todo. Ya que tiene un origen, una lengua, unas costumbres y unza religión, debería por consiguiente tener un solo gobierno que confederase los diferentes estados que hayan de formarse [...]” 5 . En el mismo sentido sostenía: “ Yo deseo más que otro alguno ver formar en América la más grande nación del mundo , menos por su extensión y riquezas que por su libertad y su gloria 6 .

Aunque se negaba a construir castillos utópicos en el aire debido a las guerras de liberación (que desarrollaba junto con José de San Martín [1778-1850] en el sur y otros revolucionarios continentales que compartieron y pelearon por ese mismo proyecto durante aquella época) y a las disputas internas que desangraban el continente, Bolívar aspiraba a un sistema republicano —el más avanzado en aquel entonces— para esa Patria Grande. Educado por el maestro Simón Rodríguez, ponía a la igualdad en lo más alto de su pensamiento: “ He conservado intacta la ley de las leyes —la igualdad— sin ella perecen todas las garantías, todos los derechos. A ella debemos hacer los sacrificios. A sus pies he puesto, cubierta de humillación, a la infame esclavitud 7

De allí que afirme: “ Por estas razones pienso que los americanos, ansiosos de paz, ciencias, artes, comercio y agricultura, preferirían las repúblicas a los reinos , y me parece que esos deseos se conformarán con las miras de Europa 8 .

Esa república era concebida por Bolívar como una instancia intermedia de equilibrio entre “la libertad indefinida, ilimitada y la democracia absoluta” —para él el ideal, pero que no concibe como posible pues sería necesario contar con “ángeles, no hombres”— y el despotismo tiránico. Resumiendo ese sentido republicano, donde no se cansa de elogiar las elecciones periódicas (para que el pueblo no se acostumbre a obedecer y el gobierno no se acostumbre sólo a mandar, según sus propias palabras), Bolívar resume su proyecto afirmando que no combate “ por el poder, ni por la fortuna, ni aun por la gloria, sino tan solo por la libertad 9 .

La salida estratégica era, a contramano de tanto “nacionalismo” estrecho, provinciano y parroquial, la unidad continental contra la dominación: “ Seguramente la unión es la que nos falta para completar la obra de nuestra regeneración [...] lo que puede ponernos en aptitud de expulsar a los españoles, y de fundar un gobierno libre. Es la unión , ciertamente, mas esta unión no nos vendrá por prodigios divinos, sino de efectos sensibles y esfuerzos bien dirigidos 10 . Idea que reafirma una y otra vez sosteniendo: “ Unidad, unidad, unidad, debe ser nuestra divisa 11 .

[Seguir leyendo por aquí...].

Bajo la lupa/Alfredo Jalife Rahme

Vía La Jornada

Antecedentes

Bajo la Lupa fue pionera en Latinoamérica y en particular México (y quizá en los países en vías de desarrollo) con la teoría del pico del petróleo, que adoptamos a contracorriente, desde su publicación en la primavera de 1998 por Campbell y Laherrère en la revista Scientific American: libro agotado, El lado oscuro de la globalización: post-globalización y balcanización (Editorial Cadmo & Europa, 2000), que prometo digitalizar para que forme parte gratuita de la página web alfredojalife.com.

El tema del pico del petróleo se militarizó desde el reporte del Comando de las Fuerzas Conjuntas de Estados Unidos (The Guardian, 11/4/10) que vaticina su llegada en 2015 con una disminución del abasto en 10 millones de barriles al día, lo cual tendría un impacto mayúsculo tanto en los países desarrollados como en aquellos en vías de desarrollo, con mayor fuerza en India y China.

En fechas recientes uno de los proponentes de la “teoría del pico en Estados Unidos, el prominente inversionista petrolero mormón Matthew Simmons, quien se había convertido en un crítico implacable del manejo de la catástrofe ambiental de BP en el Golfo de México –que, a su juicio, tendría un costo descomunal de un billón de dólares–, fue encontrado muerto en circunstancias misteriosas (The Intel Hub, 9/9/10), así como fue extraña la venta masiva por 250 millones de dólares de acciones de BP por Goldman Sachs en vísperas de la tragedia ambiental (Raw Story, 2/6/10). ¿Habrá alertado Jehová a Goldman Sachs?

El pico del petróleo, derivado de la célebre curva parabólica de Hubbert, representa el punto en el tiempo cuando las reservas globales de petróleo pasaron su cúspide y la producción empieza a declinar en forma gradual.

Hechos

El portal alemán Der Spiegel (1/9/10), bajo la firma de Stephen Schulz, acaba de propinar un tremendo latigazo recordatorio a los amnésicos e indolentes al filtrar un lúgubre reporte secreto del centro de pensamiento alemán: el departamento Análisis Futuro del Bundeswehr Transformation Center, de la cúpula del ejército y cuyos autores son encabezados por el teniente coronel Thomas Will.

La filtración aduce que el agotamiento de las materias primas, en particular del petróleo, impactará el balance del poder global, activará la formación de nuevas relaciones basadas en la interdependencia, el declive de los países industriales occidentales y el colapso total (¡súper sic!) de los mercados, concomitante a severas crisis políticas y económicas.

Que conste que Alemania es la segunda potencia exportadora global detrás de China (per cápita sería la primera) y la primera superpotencia geoeconómica de la alicaída Unión Europea. En fechas recientes su canciller Angela Merkel operó un acercamiento espectacular con China y Rusia (ver Bajo la Lupa, 18/7/10), lo cual fue conspicuamente ignorado por los multimedia anglosajones.

Para Bundeswehr (ejército alemán) el pico del petróleo ocurrirá probablemente alrededor de 2010 –¡es decir, ya!– y su impacto en la seguridad se sentirá 15 a 30 años más tarde.

Stephen Schulz cita al experto petrolero Steffen Bukold, quien evaluó y resumió siete escenarios:

1) El petróleo determinará el poder: será uno de los factores decisivos para determinar el nuevo paisaje de las relaciones internacionales, con mayor importancia de los países productores de petróleo. Al experto Steffen Bukold se le pasa que fueron la revolución geoenergética Putin y la resurrección militar de Rusia (v. gr. el aplastamiento de Georgia en Osetia del Sur), al unísono de la derrota de Estados Unidos en Irak, las que colocaron a los hidrocarburos como uno de los factores decisivos del incipiente nuevo orden multipolar. En México, la ignara clase política, una de las más primitivas del planeta, ni se da por enterada. El petróleo sigue siendo la principal joya geoestratégica, solamente que ahora cambió de controlador: pasó de las trasnacionales anglosajonas (las añejas siete hermanas) a manos de Rusia y la OPEP (ésta, huérfana militarmente).

2) Mayor importancia de los exportadores de petróleo: mientras los importadores compiten por ser abastecidos, los productores afirmarán en forma más agresiva (sic) sus intereses nacionales (sic). No es por nada, pero fue nuestra tesis expuesta en el Senado, a la cual, como era de esperarse, no le hicieron caso: desprivatización y restatización del petróleo global.

3) La política remplaza al mercado: la proporción del petróleo intercambiado en el mercado global disminuirá conforme más petróleo será comerciado mediante contratos binacionales (sic) y acuerdos condicionados de abastecimiento y asociaciones privilegiadas (sic).

4) Fracaso del mercado: en forma lúgubre las “consecuencias de la carestía de petróleo afectarán el transporte de los bienes vitales (v. gr. los alimentos)”, ya que el petróleo es usado en forma directa o indirecta en 95 por ciento de todos los bienes industriales, que serán impactados por los choques de los precios: en el mediano plazo (sic) se colapsarían tanto el sistema económico global como cada economía nacional orientada al mercado (sic).

5) Recaída (sic) en la economía planificada: la alternativa al desmoronamiento del mercado será el racionamiento del gobierno y la asignación de bienes importantes o la implantación de cronogramas de producción y otras medidas coercitivas de corto plazo.

6) Reacción global en cadena: un amplio (sic) número de países no será capaz de realizar las inversiones necesarias a tiempo y las quiebras en algunas regiones del mundo afectarán a Alemania por su profunda integración en la economía global.

Y, 7) Crisis de legitimidad política: se teme por la supervivencia de la democracia misma, cuando existirá espacio para extremistas ideologías alternativas y revueltas masivas.

¿Puede todavía existir mayor extremismo que la teología del neoliberalismo global?

Stephen Schulz tilda de drásticos los siete escenarios resumidos por Steffen Bukold, pero considera más políticamente explosivas (sic) las recomendaciones de Bundeswehr: los países importadores serán forzados (sic) a mostrar mayor pragmatismo en su política exterior hacia los productores, por lo que las prioridades políticas deberán ser subordinadas a la seguridad del abasto energético.

La dependencia con Rusia es más que evidente, por lo cual Europa del este y, en particular, Polonia –si no ajusta a tiempo la nueva realpolitik entre sus dos gigantes geoeconómicos vecinos–, pagarán los platos rotos, ya no se diga el ineludible acercamiento intensivo con Irán y Arabia Saudita, que desacralizará el apoyo incondicional (sic) a Israel.

Conclusión

Llama más la atención la resurrección de un añejo tema mediante el viejo truco de la filtración que quizá tenga como objetivo alarmar a la población europea occidental para acelerar la transición a energías alternativas todavía muy embrionarias.

¿No servirá también para encubrir tanto el rotundo fracaso del neoliberalismo global como la gran recesión que durará un mínimo de 10 años en Occidente?

Lo real es que el tema del pico del petróleo ya se militarizó a los dos lados del Atlántico norte.

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