Revista Crítica Latinoamericana

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O escritor latino-americano e o nacionalismo/Nildo Ouriques

Vía Instituto de Estudios Latinoamericanos/Universidad Federal de Santa Catarina

Mário Vargas Llosa ganhou o Nobel de Literatura em 2010. Não desperdiçou a oportunidade para empenhar seu crescente prestígio literário em defesa do liberalismo. As revistas, jornais e televisões no mundo logo repercutiram com força suas declarações sobre a literatura latino-americana e especialmente suas críticas à política na América Latina. É preciso recordar que nem sempre foi assim; o festejado Vargas Llosa também amargou dias de marginalidade literária e política.

A propósito da repercussão do prêmio no Brasil, encontrei comentário tão antigo quanto atinado de Darcy Ribeiro sobre o agora laureado: “Mario Vargas Llosa nunca teve muito espaço na imprensa no Brasil quando falava com sua própria voz. Hoje, como porta-voz da direita, quando vai lá é um herói, com páginas inteiras nos grandes jornais e todo o Sistema Globo de Televisão a serviço de sua glória” (Ribeiro, Darcy. Testemunho, p. 155, Apicuri/Editora UnB, 2009, Brasília).

De minha parte, li no ano passado “Sables y Utopias. Visiones de América Latina”, uma coletânea de ensaios agora também publicado no Brasil em que podemos observar os escritos de Vargas Llosa durante os últimos 40 anos sobre temas, problemas e personagens de nosso continente. No livro se vê claramente a evolução do escritor progressista dos anos sessenta ao homem de direita da atualidade. Em uma larga entrevista no semanário de maior circulação no Brasil, ele investiu novamente contra os governos populares da região, afirmando que “o nacionalismo fez muito mal à América Latina. O nacionalismo é a cultura dos incultos” (Revista Veja, 20 de outubro de 2010). Na verdade, as declarações recentes repetem o que escreveu em 2006 – ensaio também incluído no livro – em seus ataques ao presidente Evo Morales quando o presidente boliviano realizou uma exitosa visita a Europa revelando as razões históricas, o ímpeto e os sentidos das mudanças revolucionárias em curso no país andino. Mario Vargas Llosa condena todo nacionalismo; ele sequer suspeita, como George Orwell advertiu há mais de 70 anos, que “o nacionalismo é um tema enorme”, razão pela qual sua eloqüente sentença só não é superficial porque, muito possivelmente, é apenas um brado para ocultar algo que julgo essencial: o nacionalismo dos países centrais.

Ao contrário do que acontece na maioria dos outros países latino-americanos, o discurso do escritor peruano – nacionalizado espanhol – funciona no Brasil como peça adicional na campanha antinacionalista permanente da imprensa brasileira. “O nacionalismo é a cultura dos incultos”! Sem dúvida, é o bordão preferido da “elite pensante” nacional. Não deixa de ser curiosa a situação. Nosso mundo é feito de nações e estamos assistindo em 2011 o nascimento do Sudão do Sul na África e a possibilidade de divisão da “civilizada” Bélgica em dois novos países não se pode descartar.

Há exemplos mais importantes, obviamente. Aqui no Brasil ninguém percebe que o discurso de posse de Barak Obama foi uma peça nacionalista sem antecedentes nos Estados Unidos. Não somente uma declaração de fé no seu povo, mas a afirmação de que os Estados Unidos são capazes de sair da crise inaugurada de maneira visível em setembro de 2008 como serão especialmente escolhidos pelos deuses para ordenar o mundo em torno da “democracia e dos mercados livres”. A julgar pela imprensa brasileira, tampouco é possível observar que Nikolas Zarkhozy é outro nacionalista obstinado em recuperar o poderio francês numa Europa que gira cada dia mais em torno da Alemanha. No entanto, observado desde o trópico brasileiro, parece que Zarkhozy é apenas um conservador, jamais um ultranacionalista conservador na mesma medida em que Obama é um democrata nacionalista e somente secundariamente um afro-descendente na presidência da potencia mundial cambaleante. Poderia ser diferente? Alguém poderia imaginar nos EUA um presidente que não fosse nacionalista? E na França, um primeiro-ministro não nacionalista?

Apesar das abundantes evidências, os líderes das nações imperialistas aparecem na imprensa brasileira como homens genuinamente preocupados com o futuro da humanidade e nunca interessados exclusivamente em manter ou conquistar mais poder para suas próprias nações. Mas se é impossível ler num jornal brasileiro o adjetivo nacionalista para o primeiro ministro francês ou para o presidente dos EUA, é fácil encontrá-lo quando se trata de Evo Morales ou Rafael Correa e – sem dúvida, o preferido entre todos – Hugo Chávez. Neste caso, o leitor poderá conferir como a ordem unida se faz com perfeição no exercício da liberdade de imprensa: o “presidente nacionalista” Evo Morales disse…. o “presidente nacionalista” Rafael Correa determinou… e, principalmente, o “ultra-nacionalista” Hugo Chávez ordenou… Enfim, o tratamento jornalístico dá a impressão que o nacionalismo é uma doença tropical, impossível de encontrar-se nos Estados Unidos, na Inglaterra ou na França.

Li com sumo interesse o último livro de Vargas Llosa e não é difícil perceber que sua conversão para as teses liberais que aprofundaram a desigualdade na América Latina é sabotada – esta é a palavra – pelo conceito de subdesenvolvimento que ainda permanece em seus textos, inclusive os recentes. É como se a conversão de Vargas Llosa ao liberalismo não fosse suficientemente profunda para erradicar um conceito que, em oposição aos liberais autênticos, se opõem à ideologia da modernização, responsável pela aceitação popular de expressões ideológicas como “vias de desenvolvimento”, “países emergentes”, etc. A contrário destas expressões, o conceito de subdesenvolvimento mantém certa tradição crítica, difícil de extirpar; e eu diria – provavelmente para espanto de Vargas Llosa – que é a chave para elucidar a questão nacional nas sociedades dependentes.

A sociologia uspiana e em conseqüência o mundo “culto” brasileiro, tentou por todos os meios evitar o incomodo conceito (subdesenvolvimento) desde sempre. O resultado prático desta opção é que, entre nós, tanto a formação do jornalista quanto a do sociólogo curva-se mais ao espírito de Poliana do que às exigências epistemológicas ou teóricas que deveriam acompanhar a profissão. Por isso, até mesmo um aprendiz de sociólogo sabe que deve buscar o lado moderno em tudo, inclusive na indústria de suco de laranja, por exemplo. O jornalista, o escritor ou o sociólogo busca com obstinação uma molécula de modernidade capitalista em todas as relações sociais. Enfim, treinados para ver o lado moderno em tudo, os “homens de cultura” no Brasil não percebem que a simbiose entre o moderno e o atrasado caminha bastante bem para manter o país nas malhas do subdesenvolvimento. Vargas Llosa, neste aspecto, é menos apologético que seus colegas de rota no Brasil. Mas ambos estão de acordo em condenar qualquer comportamento ou política nacionalista na periferia capitalista subdesenvolvida. E estão, obviamente, menos inclinados a aceitar que desenvolvimento e subdesenvolvimento são duas caras da totalidade capitalista.

Na atualidade, ao contrário da época em que pensavam os caminhos de superação do subdesenvolvimento, o escritor latino-americano julga estar imune à indústria cultural, cujo motor se encontra nos países metropolitanos. Em função desta regressão intelectual, ele esquece que a falta de leitores para seus livros, as edições inapelavelmente limitadas em função da concentração da renda que caracteriza a economia, a política cultural do estado marcada pelo colonialismo, são resultados necessário do subdesenvolvimento. Em conseqüência, ao evitar o tema do subdesenvolvimento, o escritor latino-americano não percebe que a falta de espaço no jornalismo para sua produção artística ou cultural, está intimamente articulada com a opção pelo Tio Patinhas, os milhões de livros de Harry Porter, a promoção cinematográfica hollywoodiana, o modismo literário ou artístico criado pela televisão e as páginas dos cadernos culturais dos jornais paulistas… Ingenuamente, parte considerável dos escritores latino-americanos, atemorizado pela sensação de ficar fora da moda, não vacila em afirmar seu antinacionalismo e, em conseqüência, professa espécie de liberalismo ingênuo, que supõe a existência de “espaço para todos”, como se fosse possível ao escritor desconhecido apenas os méritos de sua obra para alcançar o grande público. Ele não entende que a competição com o produto cultural promovido em escala industrial pelos países centrais não se realiza em igualdade de condições. Em poucas palavras, ele evita o tema do subdesenvolvimento e ignora o fato de que o colonialismo organizou a vida social na periferia latino-americana por três séculos (até 1825) e, quando desapareceu, entramos no período histórico do subdesenvolvimento.

Por isso, foi uma delícia ler os textos de Vargas Llosa: a tradição crítica que ele pretende evitar no pensamento latino-americano e que com tanto empenho execra na política é a razão da vitalidade de sua literatura. Por outro lado, os textos revelam imensas contradições que, esclareço logo, fizeram minha felicidade. Vargas Llosa desbanca, por exemplo, o empresariado peruano, considerado “sem imaginação e sem espírito, a quem aterra a idéia da concorrência e cujos esforços, em vez de produzir, se orientam somente a conseguir privilégios, prebendas, monopólios”. Enfim, com semelhante burguesia, onde estão as forças para modernizar o Peru? Ademais, o DNA da burguesia peruana não é muito semelhante ao encontrado nas burguesias de outros países latino-americanos?

Há também sentenças que na boca de um esquerdista seriam condenadas peremptoriamente e consideradas um mecanicismo inaceitável, mas serão serenamente aceitas como verdade quando ditas pelo Nobel: “o problema é que a democracia política sem desenvolvimento econômico dura pouco”! De certa forma, esta afirmação é melhor do que a de Francisco Weffort, nosso ex-ministro de Cultura, quem afirmou certa vez que o desafio brasileiro era a consolidação da democracia em meio a imensa pobreza. Enfim, mesmo com mais da metade da população com os pés na lama a democracia poderia funcionar bastante bem…

Em um texto de 1985, quando já era um desinibido conservador, Vargas Llosa indica que os problemas enfrentados pela Revolução Sandinista são, essencialmente, derivados dos “condicionamentos brutais do subdesenvolvimento” e não, suponho, exclusivamente pela cabeça desmiolada dos revolucionários que lideraram a Revolução em 1979. Muitos anos depois, já convertido completamente ao credo liberal e engrossando o coro contra Daniel Ortega – que exercia novo mandato presidencial na Nicarágua – o escritor manifestava que para o país centro-americano ainda faltava muito para superar “este poço de horror e vergonha que chamamos subdesenvolvimento”, afirmação que situa os descaminhos do sandinismo em um marco mais realista.

Outra pérola é seu discurso em Davos, em 2001, quando ele já era um profeta da globalização e dos supostos benefícios que esta traria para os países dependentes: “… apesar de haver deixado atrás o subdesenvolvimento há tempo em matéria de criatividade artística – nesse campo, somos, ao contrário, imperialistas – América Latina é, depois de África, a região do mundo onde há mais fome, atraso, desemprego, dependência, desigualdades econômicas e violência.” Poderia haver confissão de maior impotência, após anos de aplicação do receituário liberal na maioria dos países latino-americanos? Li preciosidades sobre o sistema político da região, repleta de ironia contra a tradição de esquerda, supostamente avessa ao compromisso político: “Porém a democracia tem grandes dificuldades para aclimatar-se em países refratários, por tradição e por cultura, a aceitar a pobre realidade, o medíocre caminho do gradualismo, do possível, da transação e do compromisso, da coexistência da diversidade…”. Como se as classes dominantes fossem afeitas a acordos com as classes populares em nosso continente…

Há também cumplicidades com os donos do poder que não se pode admitir num crítico mordaz de quase tudo e todos. Em 1981, escrevendo desde Lima, Vargas Llosa ataca o nacionalismo cultural e elogia os modernos meios de comunicação como instrumento de democratização da cultura, consideração que não poderia ser tomada senão como ingenuidade, no melhor dos casos. “Os meios de comunicação massivos não são culpados do uso medíocre ou equivocados que se faça deles. Nossa obrigação é conquistá-los para a verdadeira cultura, elevando mediante a educação e a informação o nível do público, transformando-o em cada vez mais rigoroso, mais inquieto e mais crítico, e exigindo sem tréguas aos controladores destes meios – o Estado ou as empresas particulares – uma maior responsabilidade e um critério mais ético no emprego que dão.” Leitor de Machado de Assis, a quem nunca poupou elogios, Vargas Llosa parece desconhecer as Recordações do Escrivão Isaías Caminha, (1908) de Lima Barreto, autor do melhor diagnóstico sobre a imprensa e os modernos meios de comunicação. Como é possível alegar sobre o “uso equivocado” ou “medíocre” dos meios de comunicação como se os mesmos não fossem expressão de monopólios que se dedicam, com mais eficácia que a escola e as igrejas, à produção de ideologia destinada a perpetuar – na acertada sentença de Ludovico Silva – “a dependência nas cabeças mesma dos neocolonizados”? Como e onde exigir “sem tréguas” aos proprietários das TVs, rádios e jornais, compromisso ético ou qualidade na programação?

Não sei se a crise iniciada em setembro de 2008 abalou a fé de Vargas Llosa na política liberal que pregou sem rodeios até bem pouco tempo. É provável que não. De qualquer modo ele tem evitado tratar temas da política e da economia em seus artigos na imprensa após o início da grande crise capitalista, refugiando-se novamente na literatura. Nada de novo nesta posição de avestruz. Recordo a respeito que Octavio Paz, após defender enfaticamente as reformas neoliberais no México por Salinas de Gortari – presidente que se beneficiou de uma fraude eleitoral para chegar à presidência e enriqueceu como poucos no exercício do cargo – também se dedicou exclusivamente as letras no preciso momento em que os mexicanos conheciam o resultado do programa aplicado: colapso econômico, convulsão política e decadência moral sem precedentes. Nenhuma autocrítica apareceu nas páginas da Revista Vuelta, dirigida por Paz (e Enrique Krause) que, apoiado pelo monopólio Televisa, defendeu durante anos, com unhas e dentes, o programa liberal. Enfim, quando não era mais possível esconder os assassinatos, a corrupção generalizada e a pobreza em massa criada pelas reformas liberais em seu país, Octavio Paz se refugiou na literatura e esqueceu definitivamente a política.

Os liberais possuem razões de sobra para pregar que a solução para o subdesenvolvimento e a pobreza que caracterizam nossa formação social somente pode ser enfrentada com sucessivas ondas modernizantes, ou seja, a aplicação das políticas recomendadas pelos países centrais por meio de organismos considerados “internacionais” (FMI, BM, FAO, etc). A razão é simples: trata-se da ideologia que lhes permite acumular poder e riqueza à custa da maioria da população, cujo destino tem sido a miséria, a imigração ou simplesmente o conformismo de viver em países que “não deram certo”. É neste contexto que podemos entender a adesão sem reparos da classe dominante em nosso continente ao conto da “globalização”. Da mesma forma, o ressurgimento do “pensamento crítico latino-americano” por parte de amplos setores sociais empobrecidos deve ser considerado uma resposta intelectual das maiorias àquela espoliação que foi apresentada como uma oportunidade indiscutível para nossos países. A incapacidade da “globalização” em atender as necessidades básicas da maioria da população, criou as bases para a renovada relevância do nacionalismo. Mas qual nacionalismo? O nacionalismo revolucionário, ou seja, aquele que enfrenta os dilemas históricos do capitalismo dependente, incapaz de dar vida digna a milhões de pessoas, de superar a dependência tecnológica, a miséria e a marginalidade política e social, a alienação cultural.

O nacionalismo – que seguirá sendo objeto de intensa controvérsia – pode, na verdade, ser tão nocivo quanto emancipatório, razão pela qual representa grave erro simplesmente condená-lo. Gilberto Freire, este ícone das letras paulistas, alertou em 1946 que “a história de nações como as latino-americanas está assim caracterizada tanto por um nacionalismo de proteção como por um nacionalismo de agressão”. O argumento tem algo de verdadeiro, embora não há notícias de uma invasão ou agressão militar de um país latino-americano a qualquer potencia imperialista. O contrário é verdadeiro. É claro que existiram e ainda permanecem tensões regionais que implicaram em conflitos bélicos entre os países latino-americanos, mas quem se atreveria comparar os termos da questão?

É expressivo de seu caráter polemico o fato que tanto um historiador marxista como E. J. Hobsbawm quanto o literato liberal considerem o nacionalismo perigoso anacronismo. Ambos não conseguem estabelecer relação entre a terrível realidade do subdesenvolvimento e a erupção do nacionalismo revolucionário, principal fenômeno político da América Latina contemporânea. A origem da inesperada coincidência é que Hobsbawm e Vargas Llosa – figuras opostas no espectro político – expressam considerável dose de eurocentrismo, razão pela qual julgam que todas as nações estão prontas, historicamente concluídas. Desde Madri e Londres, onde estão confortavelmente instalados, o mundo tem obviamente outra feição…
Vargas Llosa prefere pensar que o nacionalismo é, juntamente com o “populismo”, o “indigenismo” e a “corrupção”, um obstáculo ao desenvolvimento. No fundo, alimenta-se da ilusão do desenvolvimentismo, típico subproduto da sociologia da ordem de inspiração rostowiana segundo a qual, com um pouco de esforço e seguindo as pegadas dos países centrais, chegaremos lá. Viver na periferia capitalista não é, efetivamente, desfrutar de uma vida agradável, tantos são os problemas reais ou imaginários. Portanto, é compreensível que dirija suas baterias contra qualquer manifestação de nacionalismo, especialmente quando a bandeira é empunhada pelas classes subalternas. Para ele, a “visão patrioteira e provinciana da cultura e da política” funciona como espécie de “contracapa do nacionalismo” e é a melhor receita para jamais sair do subdesenvolvimento, como escreveu em 2005. Eis o segredo do postulado de Vargas Llosa – como também de todos os liberais latino-americanos – pois supõem que mesmo uma dose cavalar de liberalismo nunca será suficiente para modernizar nossos países. É como afirmou um “profeta” liberal brasileiro já merecidamente esquecido: “o neoliberalismo seria bom, mas lamentavelmente nunca contraímos a enfermidade”. Em resumo: por mais intensa que sejam as medidas liberais aplicadas – privatização, abertura da economia, flexibilização dos salários, entre outras conhecidas medidas antipopulares – o fato é que a realidade não se transforma jamais na direção pretendida pelos liberais. Ao contrário, confirma o acertado prognóstico de Gunder Frank, pois a “onda modernizadora” aprofunda o desenvolvimento do subdesenvolvimento.

O fato é que o liberalismo se renova sem jamais cumprir sua promessa de redimir da pobreza milhões de pessoas e de garantir às nações latino-americanas um lugar que não seja a subalternidade no cenário internacional. Eis a razão pela qual o nacionalismo se mantém como força política imprescindível na América Latina como de resto em toda periferia capitalista, pois sem ele, a debilidade da nação e as desigualdades sociais que a acompanham seriam ainda mais gritantes.

Um mundo sem nacionalismos somente seria possível com o ocaso das nações. É desejável? Certamente, mas é preciso levar em conta que o grande capital não pode prescindir do estado-nação a seu exclusivo serviço. Portanto, seguirá exorcizando qualquer manifestação de nacionalismo na periferia que impeça o mínimo de controle popular sobre recursos estratégicos da nação, ou seja, minerais, mão de obra, alimentos e especialmente, fluxos financeiros. É claro que a análise deste fenômeno não deveria ocultar outro dado elementar do mundo moderno: o nacionalismo praticado historicamente pelos países centrais não somente segue intacto como ganhou força nas décadas em que o chamado neoliberalismo foi aplicado sem restrições. Em conseqüência, tanto na cultura como na economia, o nacionalismo realmente destrutivo segue sendo aquele praticado pelos países centrais contra os países periféricos.

Um mundo sem nacionalismos? Os povos dos países latino-americanos certamente seriam os primeiros interessados em eliminar da face da terra o nacionalismo em qualquer de suas manifestações. É simples perceber que numa verdadeira comunidade mundial, sem o domínio dos nacionalismos dos países centrais (imperialismo), a opressão nacional sob os países periféricos cessaria. Neste cenário utópico – o fim do nacionalismo em escala planetária – poderíamos quiçá, ter melhor sorte do que aquela reservada às maiorias nas nações sob controle das classes dominantes locais em íntima relação com as elites dos países metropolitanos. Estou convencido que precisamente as classes populares da periferia capitalista seriam as primeiras em lutar pelo fim das fronteiras nacionais e o fim de todo e qualquer nacionalismo. Estaríamos vivendo o fim do capitalismo, certamente. Mas esta generosa possibilidade, como se pode ler no livro de Vargas Llosa, não existe para o escritor.

Nostromo 4 al Palacio de Minería

Nuevos títulos de Nostromo Ediciones en la Feria de Minería

Nostromo en la Feria del Libro del Zócalo de la Ciudad de México

Los gurúes de los Kirchner

Vía La Nación

La sofisticación de la teoría de Ernesto Laclau sobre el populismo no es materia de esta nota. Quien la escribe ha leído atentamente La razón populista (2005), pero ahora seguirá el ejemplo de lo que hace Laclau cuando lo reportean: usar instrumentos menos abstrusos y, a veces, singularmente toscos. En Internet, el lector podrá leer esas intervenciones periodísticas a veces provocadoras. Los reportajes a Laclau enhebran sentencias apodícticas, enunciados cortantes, frases sin fisuras, mandamientos, irreverencias, aforismos irónicos y predicciones. Se siente autorizado por su obra y por su renombre, que cuida especialmente cuando adivina una amenaza a su estrellato, por ejemplo Slavoj Zizek (a quien Chantal Mouffe define como un revolucionario retórico y vociferante, eximiendo a su marido de la ingrata tarea de echar tierra sobre un competidor de la izquierda académica).

Visiblemente halagados, en una entrevista reciente, Laclau y Chantal Mouffe rememoran anécdotas locales que no son comunes en Europa, donde viven. Parece que los asistentes al Congreso de Ciencia Política que hace poco tuvo lugar en San Juan les hacían firmar ejemplares y los convirtieron en temporarias celebrities intelectuales. Pese a esta cordial resonancia entre los cientistas políticos del Congreso, la lectura de La razón populista es una tarea para entrenados. En cambio, En torno a lo político (2007), de Chantal Mouffe, la muestra como una pensadora disciplinada y poco extravagante.

En sus libros Laclau tiene un estilo trabajoso; en sus reportajes es simple y va al grano. No es necesario que un político haya leído a Laclau para entender lo que dice en las entrevistas. La difusión de las ideas se produce en círculos concéntricos y esto lo saben bien quienes hacen historia de la cultura. De modo que, salvo para los especialistas, Laclau puede circular tranquilamente en su simplificada versión mediática. Vale como ejemplo de esa difusión la actual reivindicación de la palabra “enemigo” en vez de “adversario” que emiten muchos de los voceros del Gobierno, puesta en valor que probablemente se haya originado en académicos que hoy militan en el Poder Ejecutivo, como Juan Manuel Abal Medina. Digamos, de paso, que Chantal Mouffe no podría reivindicar este uso desafiante de la palabra enemigo por razones que se verán más adelante y que prueban mayor sutileza intelectual y sensatez política.

De todos modos, antes de tocar la carne palpitante de actualidad que pone Laclau en sus entrevistas, vale la pena mencionar algunas de las ideas de La razón populista , aunque se corra el riesgo de herir su oscuridad y simplificar sus arabescos.

Ernesto Laclau considera que, cuando un sistema político atraviesa una crisis que afecta las viejas formas y estructuras, cuando aparece disperso o desmembrado como la Argentina a comienzos de este siglo, sólo el populismo es capaz de construir nuevamente una unidad, articulando las demandas diferentes que estallan por todas partes y volviéndolas equivalentes, es decir, aptas para sumarse en un mismo campo. Por eso, el populismo no tiene un contenido definido de antemano, sino que depende de las reivindicaciones que se articulen en esa nueva unidad. Al hacerlo se traza una frontera que divide a la sociedad en dos partes; una de ellas, el pueblo, es un “componente parcial que aspira a ser concebido como la única totalidad legítima”. Suena históricamente conocido.

Cuanto más demandas diferentes sean integradas, más amplio será el campo enemigo, hasta tal punto que el discurso populista gira en torno de un “significante vacío”. Pero no se trata de un vacío abstracto sino de un vacío que permite producir sentidos políticos, como -el ejemplo es de Laclau- la consigna “pan, tierra y libertad” o, con mayor actualidad, “capas medias versus morochos”.

Podría decirse que estas definiciones de Laclau se aplican a todo nuevo régimen político. También podría decirse que el trazado de una línea interna que separe las demandas de quienes las rechazan es la política misma, no sólo la forma populista de la política. La intervención política ordena demandas y define conflictos. Para Laclau, la forma política apropiada (por lo menos para América latina, pero no sólo para América latina) es el populismo, que puede ser de izquierda o de derecha, pero Dios quiso que, en este momento del continente, con Chávez a la cabeza, fuera de izquierda.

Hasta aquí la discusión podría desarrollarse en el empíreo de las ideas sin mayores consecuencias. Pero Laclau es incomparablemente más simple cuando saca la mirada del “significante vacío” y la pone en la política real. Allí se vuelve esquemático y sus ejemplos parecen un poco elementales y alejados de las múltiples determinaciones concretas. Sin muchas mediaciones, aborda los hechos como si encontrara en ellos la directa versión empírica de sus categorías ideales.

En una entrevista reciente, traduce vertiginosamente las tesis de su libro: “Si existe una demanda concreta de un grupo local sobre un tema como transporte y la municipalidad la niega, hay una demanda frustrada. Pero si la gente empieza a ver que hay otras demandas en otros sectores y que también son negadas, entonces empieza a crearse entre todas esas demandas una cierta unidad y empiezan a formar la base de una oposición al poder. En cierto momento es necesario cristalizar esa cadena de equivalencias entre demandas insatisfechas en un significante que las significa a ellas como totalidad: es el momento de la ruptura populista, cuando la relación líder-masa empieza a cristalizar. Pero hay todo un renglón intermedio que es el momento parlamentario. Ese momento muchas veces opera sobre bases clientelísticas y puede tratar de interrumpir la relación populista entre masa y líder. Cuando ocurre, entonces tenemos a un poder parlamentario, antipersonalista, que se opone a la movilización de bases”.

El servicial ejemplo de un grupo que pide una mejora en el transporte transcurriría antes del advenimiento del líder populista; con ese grupo, también en ese momento anterior, coexistiría otro que pide un sistema de salas de primeros auxilios y un tercero que reclama mejoras en las escuelas elementales. Todos tienen objetivos diferentes, pero el líder populista puede convertir esas demandas en una cadena de equivalencias que se enfrenten, por ejemplo, con los responsables de una injusta distribución del gasto público. En ese momento se traza una línea de separación y se funda un sujeto popular. Perón viene a la mente como el líder histórico que realizó esta paradigmática construcción de hegemonía, encontrando el nombre que desde entonces designa al enemigo del pueblo: la oligarquía, los vendepatria, etcétera.

Por eso, Perón, Chávez o cualquier líder populista están autorizados por el carácter de la operación hegemónica a limitar la república parlamentaria que distorsiona la política, ya que difiere o impide el trazado de una línea nítida y la definición del conflicto. Una “frontera interna”, que divida claramente al pueblo de sus enemigos, requiere una “invocación política”. Invocar quiere decir llamar y dar nombre: socialismo bolivariano frente al imperio, kirchnerismo frente a las corporaciones.

Sin embargo, a diferencia de lo que muchos pensamos y eventualmente tememos, Laclau sostiene que la conflictividad kirchnerista es incompleta. Por un lado no ha profundizado la frontera con los enemigos de todas las reivindicaciones populares; por el otro, no le ha dado un discurso a esa identidad que, de todos modos, ha contribuido a fundar.

Si alguien se imagina a Kirchner relamiéndose de gusto, alentado por esta explicación, y preparando nuevos tendidos de líneas divisorias, no se equivocará, aunque, para ser justos, también debería reconocerse que Kirchner no la necesita para hacer lo que hace y lo que hizo. Laclau agrega otros buenos argumentos para la persistencia en el poder de los líderes populistas (en general son los mismos argumentos por los cuales podría permanecer una dictadura): “Soy partidario hoy en América latina de la reelección presidencial indefinida. No de que un presidente sea reelegido de por vida, sino de que pueda presentarse. Por ejemplo, por el presente período histórico, sin Chávez el proceso de reforma en Venezuela sería impensable; si hoy se va, empezaría un período de restauración del viejo sistema a través del Parlamento y otras instituciones. Sin Evo Morales, el cambio en Bolivia es impensable. En Argentina no hemos llegado a una situación en la que Kirchner sea indispensable, pero si todo lo que significó el kirchnerismo como configuración política desaparece, muchas posibilidades de cambio van a desaparecer”.

Laclau ha ido depositando refinadas capas de teoría sobre su populismo de origen, aquel adoptado como hipótesis histórica en su primera patria intelectual: el partido y las ideas de Jorge Abelardo Ramos. Esto no es una revelación inquietante, ya que para Laclau, como se ha dicho, el populismo es la forma misma de lo político.

La cuestión debería matizarse cuando se lee a Chantal Mouffe e incluso cuando se registran sus opiniones en (una menor) cantidad de entrevistas. Chantal Mouffe no es una teórica del populismo sino que interviene en el debate sobre el carácter de la democracia. De modo legible y con claridad expone que la democracia no es simplemente un régimen de consensos sino el escenario de disputas que las instituciones encuadran dentro de sus reglas para que no se vuelvan destructivas. No podría estar más de acuerdo. Si Laclau no muestra ningún interés por el aspecto institucional de las democracias y sostiene solamente la legitimidad de origen (es decir que un gobierno haya ganado elecciones), Chantal Mouffe está preocupada por redefinir la democracia no como la institucionalidad que sólo permite la construcción de acuerdos que evadan las contradicciones reales, sino también el despliegue y la eventual resolución de conflictos. El foco de la mirada teórica de Laclau y Mouffe, en el último libro de cada uno de ellos es, por eso, diferente.

La pregunta sería: ¿es el gobierno de los Kirchner un gobierno populista? Si la respuesta es afirmativa, la crítica liberal institucionalista es obtusa por su fijación en los pormenores sin grandeza política de la administración. Pero no sería posible criticarlo por lo que no se propone ser: su legitimidad, como la de Chávez, es una legitimidad de origen, y sus modalidades son las de un liderazgo que ha comprendido que, frente al viraje de Occidente hacia la derecha, las posibilidades pasan por el populismo si se busca superar el estancamiento social y el retraso provocados por el capitalismo.

En ese caso, al gobierno de Kirchner habría que pedirle más populismo (tal como lo hace Laclau) y no menos. Laclau considera al kirchnerismo un populismo todavía “incompleto” si se lo compara con el chavismo. ¿Qué quiere decir más populismo? Que el kirchnerismo profundice el corte político que constituye al pueblo, que profundice la división de la sociedad entre los de abajo y los de arriba (estoy citándolo) y, si es necesario, que rompa los marcos institucionales que se convierten en barreras a la vitalidad y la dinámica de la decisión política; que defina el conflicto y no se confunda: los adversarios son siempre enemigos. Laclau no está interesado en el trámite de las decisiones políticas (que son monopolio del líder); se conforma con la legitimidad electoral de origen como base de una democracia populista.

El reformismo democrático tramitado en las instituciones no sólo tiene como destino el fracaso sino que no merece ser nombrado como política. Para Laclau es sólo administración. La épica de lo político se sostiene en el corte, no en el gradualismo. En eso se funda el olímpico desprecio con que Laclau amontona en la derecha o en la traición al pueblo a Hermes Binner, a Ricardo Alfonsín, a Elisa Carrió y Margarita Stolbizer. Tal como tratan los Kirchner desde hace un tiempo a cualquiera que definan como adversario devenido enemigo. Naturalmente, Martín Sabbatella le parece a Laclau un político inteligente y acertado. A Solanas le aconseja que vuelva a dedicarse al cine.

Con este reparto de premios y castigos la teoría desciende al llano. Laclau puede sentirse satisfecho de este nuevo encuentro del pensamiento nacional de izquierda con un líder populista. Un sueño vuelto realidad gracias a un “significante vacío” llenado por los Kirchner a quienes la teoría también les habilita la reelección indefinida. Sería cosa de modificar la Constitución, ese fetiche.

Chantal Mouffe se interesa por cuestiones diferentes y, por eso, es esperanzador que se diga que la Presidenta la estima, aunque todavía no haya dado muestras concretas de esa simpatía intelectual. Plantea no la partición conflictiva de lo político (que por supuesto da por descontado), sino las formas en que la política puede tramitar los conflictos. Para Laclau, al trazar una frontera que define al pueblo, la política ha cumplido su función fundadora y se trata, de allí en más, de las victorias que obtiene ese pueblo (o su dirigente) en una larga guerra de posiciones. Para Chantal Mouffe, en cambio, si bien es imposible abolir los antagonismos, la política puede transformarlos en “una forma de oposición nosotros/ellos que sea compatible con la democracia pluralista”, “transformar el antagonismo en agonismo” y desplegar democráticamente un “modelo adversarial”.

La diferencia entre Laclau y Chantal Mouffe es evidente. Desde la perspectiva de Laclau las instituciones liberal-democráticas son solamente formas objetivadas (“alienadas”, se habría dicho hace tiempo) que ocultan relaciones de poder económico y social. Chantal Mouffe, que no rechazaría de plano esta definición, tiene, sin embargo, mejores perspectivas para evaluar sus consecuencias prácticas en la escena política, entre ellas que una hipótesis de conflicto se agite continuamente como estandarte en cada una de los escenarios cotidianos. Y esta agitación belicosa parece ser lo que está sucediendo.

© LA NACION

A mídia comercial em guerra contra Lula e Dilma/ Leonardo Boff

Vía Adital

Sou profundamente pela liberdade de expressão em nome da qual fui punido com o “silêncio obsequioso” pelas autoridades do Vaticano. Sob risco de ser preso e torturado, ajudei a editora Vozes a publicar corajosamente o “Brasil Nunca Mais”, onde se denunciavam as torturas, usando exclusivamente fontes militares, o que acelerou a queda do regime autoritário.

Esta história de vida me avalisa fazer as críticas que ora faço ao atual enfrentamento entre o Presidente Lula e a midia comercial que reclama ser tolhida em sua liberdade. O que está ocorrendo já não é um enfrentamento de ideias e de interpretações e o uso legítimo da liberdade da imprensa. Está havendo um abuso da liberdade de imprensa que, na previsão de uma derrota eleitoral, decidiu mover uma guerra acirrada contra o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff. Nessa guerra vale tudo: o factóide, a ocultação de fatos, a distorção e a mentira direta.

Precisamos dar o nome a esta mídia comercial. São famílias que, quando veem seus interesses comerciais e ideológicos contrariados, se comportam como “famiglia” mafiosa. São donos privados que pretendem falar para todo Brasil e manter sob tutela a assim chamada opinião pública. São os donos de O Estado de São Paulo, de A Folha de São Paulo, de O Globo, da revista Veja, na qual se instalou a razão cínica e o que há de mais falso e chulo da imprensa brasileira. Estes estão a serviço de um bloco histórico assentado sobre o capital que sempre explorou o povo e que não aceita um Presidente que vem desse povo. Mais que informar e fornecer material para a discusão pública, pois essa é a missão da imprensa, esta mídia empresarial se comporta como um feroz partido de oposição.

Na sua fúria, quais desesperados e inapelavelmente derrotados, seus donos, editorialistas e analistas não têm o mínimo respeito devido a mais alta autoridade do país, ao Presidente Lula. Nele veem apenas um peão a ser tratado com o chicote da palavra que humilha.

Mas há um fato que eles não conseguem digerir em seu estômago elitista. Custa-lhes aceitar que um operário, nordestino, sobrevivente da grande tribulação dos filhos da pobreza, chegasse a ser Presidente. Este lugar, a Presidência, assim pensam, cabe a eles, os ilustrados, os articulados com o mundo, embora não consigam se livrar do complexo de vira-latas, pois se sentem meramente menores e associados ao grande jogo mundial. Para eles, o lugar do peão é na fábrica produzindo.

Como o mostrou o grande historiador José Honório Rodrigues (Conciliação e Reforma), “a maioria dominante, conservadora ou liberal, foi sempre alienada, antiprogresssita, antinacional e não contemporânea. A liderança nunca se reconciliou com o povo. Nunca viu nele uma criatura de Deus, nunca o reconheceu, pois gostaria que ele fosse o que não é. Nunca viu suas virtudes, nem admirou seus serviços ao país, chamou-o de tudo -Jeca Tatu-; negou seus direitos; arrasou sua vida e logo que o viu crescer ela lhe negou, pouco a pouco, sua aprovação; conspirou para colocá-lo de novo na periferia, no lugar que contiua achando que lhe pertence (p.16)”.

Pois esse é o sentido da guerra que movem contra Lula. É uma guerra contra os pobres que estão se libertando. Eles não temem o pobre submisso. Eles têm pavor do pobre que pensa, que fala, que progride e que faz uma trajetória ascedente como Lula. Trata-se, como se depreende, de uma questão de classe. Os de baixo devem ficar em baixo. Ocorre que alguém de baixo chegou lá em cima. Tornou-se o Presidente de todos os brasileiros. Isso para eles é simplesmente intolerável.

Os donos e seus aliados ideológicos perderam o pulso da história. Não se deram conta de que o Brasil mudou. Surgiram redes de movimentos sociais organizados, de onde vem Lula, e tantas outras lideranças. Não há mais lugar para coroneis e para “fazedores de cabeça” do povo. Quando Lula afirmou que “a opinião pública somos nós”, frase tão distorcida por essa midia raivosa, quis enfatizar que o povo organizado e consciente arrebatou a pretensão da midia comercial de ser a formadora e a porta-voz exclusiva da opinião pública. Ela tem que renunciar à ditadura da palabra escrita, falada e televisionada e disputar com outras fontes de informação e de opinião.

O povo cansado de ser governado pelas classes dominantes resolveu votar em si mesmo. Votou em Lula como o seu representante. Uma vez no Governo, operou uma revolução conceptual, inaceitável para elas. O Estado não se fez inimigo do povo, mas o indutor de mudanças profundas que beneficiaram mais de 30 milhões de brasileiros. De miseráveis se fizeram pobres laboriosos, de pobres laboriosos se fizeram classe média baixa e de classe média baixa de fizeram classe média. Começaram a comer, a ter luz em casa, a poder mandar seus filhos para a escola, a ganhar mais salário, em fim, a melhorar de vida.

Outro conceito innovador foi o desenvolvimento com inclusão soicial e distribuição de renda. Antes havia apenas desenvolvimento/crescimento que beneficiava aos já beneficiados à custa das massas destituidas e com salários de fome. Agora ocorreu visível mobilização de classes, gerando satisfação das grandes maiorias e a esperança que tudo ainda pode ficar melhor. Concedemos que no Governo atual há um déficit de consciência e de práticas ecológicas. Mas, importa reconhecer que Lula foi fiel à sua promessa de fazer amplas políticas públicas na direção dos mais marginalizados.

O que a grande maioria almeja é manter a continuidade deste processo de melhora e de mudança. Ora, esta continuidade é perigosa para a mídia comercial que assiste, assustada, ao fortalecimento da soberania popular que se torna crítica, não mais manipulável e com vontade de ser ator dessa nova história democrática do Brasil. Vai ser uma democracia cada vez mais participativa e não apenas delegatícia. Esta abria amplo espaço à corrupção das elites e dava preponderância aos interesses das classes opulentas e ao seu braço ideológico que é a mídia comercial. A democracia participativa escuta os movimentos sociais, faz do Movimento dos Sem Terra (MST), odiado especialmente pela VEJA, que faz questão de não ver; protagonista de mudanças sociais não somente com referência à terra, mas também ao modelo econômico e às formas cooperativas de produção.

O que está em jogo neste enfrentamento entre a midia comercial e Lula/Dilma é a questão: que Brasil queremos? Aquele injusto, neocoloncial, neoglobalizado e, no fundo, retrógrado e velhista; ou o Brasil novo com sujeitos históricos novos, antes sempre mantidos à margem e agora despontando com energias novas para construir um Brasil que ainda nunca tínhamos visto antes?

Esse Brasil é combatido na pessoa do Presidente Lula e da candidata Dilma. Mas estes representam o que deve ser. E o que deve ser tem força. Irão triunfar a despeito das más vontades deste setor endurecido da midia comercial e empresarial. A vitória de Dilma dará solidez a este caminho novo ansiado e construido com suor e sangue por tantas gerações de brasileiros.

“Es abusivo calificar a los mapuche de terroristas”/Hernán Montealegre

Vía El mostrador

La huelga de hambre que han mantenido por casi dos meses 32 mapuches busca terminar con la aplicación de la Ley Antiterrorista -que puede hasta cuadruplicar las penas-, así como que las investigaciones judiciales sean sacadas de la jurisdicción de los tribunales castrenses, radicándose en la justicia ordinaria.

De hecho, el lunes pasado el gobierno anunció algunos cambios a la ley antiterrorista y al Código de Justicia Militar.

Pero los mapuches continúan su huelga, ya que aseguran que estos anuncios sólo se quedan a nivel de los medios de comunicación: nadie se ha acercado a dialogar con ellos ni a aclarar los alcances de la decisión.

Para el abogado de Derechos Humanos,  Hernán Montealegre, “si los cambios propuestos por Piñera buscan flexibilizar la ley antiterrorista estoy de acuerdo”. Pero recalca que la mentada ley ha sido mal utilizada por el Estado, ya que, asegura, en Chile no existen grupos con las características que definen a este tipo de organizaciones.

¿Cuándo tiene su origen la Ley Antiterrorista en Chile?

-En la época de Pinochet. Antes de eso existían crímenes en el Código Penal pero no ley antiterrorista.

Un detalle interesante es que en  la Constitución  de 1980 el único artículo que habla de Derechos Humanos dice que el terrorismo es esencialmente lo contrario. No hay otro artículo en la Constitución, ni siquiera luego de la reforma de don Ricardo Lagos, que contenga la expresión “derechos humanos”. Con eso se sostuvo lo que Pinochet siempre quiso transmitir: los que de verdad violaban los derechos humanos eran los terroristas y no ellos. Lamentablemente todos los asesores jurídicos de la Concertación han mantenido ese artículo.

-¿Se justifica la aplicación de la Ley Antiterrorista en el caso de los mapuches?

-Evidentemente que el terrorismo existe y que es un tipo de delincuencia distinto a la delincuencia común. Organizaciones terroristas han existido en muchos países: el IRA en Irlanda, la ETA en España, Al Qaeda…

Los dueños de fundo tienen mucha influencia en los gobiernos. Son amigos de los ministros de Justicia,  del Interior. Para lo bueno y lo malo Chile es un país de amistades.

En Chile la verdad no logro configurar las características de estas organizaciones para homologarlas con algún grupo chileno. Desde luego la idea de Pinochet de que aquí había terrorismo es falsa. La esencia del acto terrorista es que comete delitos contra las personas o la propiedad pero, lo que le interesa no es dañar a esa persona o propiedad, sino a través de eso producir alarma en conjunto o parte de la sociedad.

-¿En el caso de los mapuches procesados no caen en esta definición?

-No.  Diría que es un asunto circunscrito al lugar. Tienen elementos para decir que se están defendiendo de tierras usurpadas. Pueden estar equivocados, pero se debe resolver a través del diálogo: históricamente somos los invasores de sus tierras. Es absurdo negarlo.

Los mapuche invocan derechos ancestrales, que no invocan los grupos terroristas, que son grupos fanatizados. El terrorismo se dirige a la mente y la voluntad de la sociedad, a través del temor. También es muy importante para ellos contar con apoyo internacional. Ese elemento es posible que exista en grupos mapuches, pero los actos por los que se los juzga hoy son más bien violentos, no terroristas. Es abusivo calificarlos de terrorista.

-¿Qué pasa con los incendios reiterativos, destrucción de la propiedad ajena, quema de buses?

-Si hay gente adentro y se quema a personas inocentes estaríamos próximos a tener que calificar estos actos como terroristas. Pero si son aislados no llegan a caracterizar ni a los mapuches como tal ni a los grupos de choque de ellos.

Si en Santiago o en otra ciudad grande, o en otro sitio aparece un grupo mapuche poniendo bombas y matando gente inocente, estaríamos ante grupos terroristas. Esto no ha ocurrido ni remotamente.

-¿Cómo evalúa la actuación del Estado y de los gobiernos de la Concertación frente a la aplicación de la Ley Antiterrorista con los mapuche?

El Estado chileno ha sobreactuado. Básicamente porque los dueños de fundo tienen mucha influencia en los gobiernos. Son amigos de los ministros de Justicia,  del Interior. Para lo bueno y lo malo Chile es un país de amistades.